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Europa

"Turistas sniper": Itália investiga viagens a Sarajevo em que se pagava para matar

12 nov, 2025 - 17:51 • João Pedro Quesado

Italianos pagariam entre 80 e 100 mil euros a soldados para disparar contra civis a partir das colinas à volta da cidade. Jornalista fez queixa "pessoas ricas que iam lá por diversão e satisfação pessoal".

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A procuradoria-geral de Milão abriu uma investigação sobre italianos que pagaram a elementos do exército Sérvio-Bósnio por viagens a Sarajevo para matar cidadãos durante o cerco de quatro anos, entre 1992 e 1996, na guerra da Bósnia.

A investigação, que também envolve cidadãos de outras nacionalidades, incide sobre "turistas sniper", que alegadamente pagaram para participar no disparo de tiros de sniper em algumas ruas de Sarajevo. Os tiros eram disparados aleatoriamente contra civis, incluindo crianças, nas ruas. Mais de 10 mil pessoas morreram durante o cerco de Sarajevo.

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Os pagamentos terão sido realizados a soldados do exército de Radovan Karadžić, o ex-líder sérvio-bósnio que, em 2016, foi considerado culpado de genocídio e outros crimes contra a humanidade. Estes turistas pagavam para ser transportados para colinas à volta da Sarajevo, para disparar contra as pessoas.

Os procuradores de Milão investigam acusações de homicídio voluntário agravado por crueldade e motivos abjetos. A queixa que deu origem à investigação aponta que estas pessoas voaram de Trieste para Belgrado na companhia aérea Aviogenex, e os pagamentos estariam entre os 80 mil e os 100 mil euros — com preços mais altos para disparar contra crianças.

A queixa é do jornalista Ezio Gavazzeni, que juntou provas sobre as alegações, apoiadas por um relatório da ex-presidente de câmara de Sarajevo, Benjamina Karić.

A investigação do jornalista começou depois de ver o documentário "Sarajevo Safari", produzido em 2022 pelo realizado esloveno Miran Zupanič. O documentário descreve, pela voz de um ex-soldado sérvio, como grupos de pessoas estrangeiras disparavam contra civis a partir das colinas.

"Não havia motivações políticas ou religiosas. Eram pessoas ricas que iam lá por diversão e satisfação pessoal", disse Gavazzeni ao The Guardian. "Estamos a falar de pessoas que adoram armas, que talvez vão a campos de tiro, ou a um safari na África".

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