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Apesar do pedido de desculpas, Trump deverá processar BBC

15 nov, 2025 - 10:39 • Reuters

“Vamos processá-los por um valor entre mil milhões e 5 mil milhões de dólares, provavelmente algures na próxima semana”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One.

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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta sexta-feira que deverá processar a BBC na próxima semana, exigindo até 5 mil milhões de dólares, depois de a emissora britânica admitir ter editado de forma incorreta um vídeo de um discurso seu – embora insistindo que não existe fundamento jurídico para a queixa.

A BBC mergulhou na sua maior crise em décadas depois da demissão de dois altos responsáveis, na sequência de acusações de parcialidade, incluindo a edição do discurso de Trump de 6 de Janeiro de 2021, dia em que os seus apoiantes invadiram o Capitólio.

Os advogados de Trump tinham inicialmente estabelecido esta sexta-feira como prazo para a BBC retirar o documentário, sob pena de enfrentar um processo de “não menos” de mil milhões de dólares. Exigiram ainda um pedido de desculpas e indemnização pelos “avassaladores danos reputacionais e financeiros”, segundo uma carta vista pela Reuters.

A BBC, que admitiu que a edição das declarações de Trump foi um “erro de julgamento”, enviou na quinta-feira um pedido de desculpas pessoal ao Presidente, afirmou que não iria voltar a emitir o documentário, mas rejeitou a alegação de difamação.

“Vamos processá-los por um valor entre mil milhões e 5 mil milhões de dólares, provavelmente algures na próxima semana”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, a caminho da Florida para o fim de semana.

“Acho que tenho de o fazer, digo eu, até porque eles admitiram que aldrabaram”, afirmou. “Alteraram as palavras que saíam da minha boca.”

Trump disse não ter falado com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer — com quem afirma ter construído uma relação sólida — sobre o assunto, mas planeia contactá-lo este fim de semana. Garantiu que Starmer tentou falar com ele e que estava “muito envergonhado” com o incidente.

O documentário, transmitido no programa de referência da BBC, “Panorama”, juntou três excertos de vídeo do discurso de Trump, criando a impressão de que estava a incitar o motim de 6 de Janeiro de 2021. Os advogados de Trump dizem que isso é “falso e difamatório”.

“Fiz uma declaração bonita”

Numa entrevista ao canal britânico de direita GB News, Trump disse que a edição era “impossível de acreditar” e comparou-a à interferência eleitoral.

“Fiz uma declaração bonita, e eles transformaram-na numa declaração que não era bonita”, afirmou. “Fake news era um bom termo, mas já não é suficiente. Isto vai para além do falso, isto é corrupto.”

Trump acrescentou que o pedido de desculpas da BBC não basta.

“Quando dizem que foi involuntário, suponho que se fosse mesmo involuntário não pediam desculpa”, disse. “Juntaram duas partes do discurso que estavam separadas por quase uma hora. É incrível sugerir-se que fiz um discurso agressivo que levou a tumultos. Uma parte fazia de mim o vilão, e a outra era uma declaração muito apaziguadora.”

O presidente da BBC, Samir Shah, enviou na quinta-feira um pedido de desculpas pessoal à Casa Branca e disse aos deputados que a edição foi “um erro de julgamento”. No dia seguinte, a ministra da Cultura, Lisa Nandy, afirmou que o pedido de desculpas era “certo e necessário”.

A emissora afirmou não ter planos para retransmitir o documentário e está a investigar novas alegações sobre práticas de edição, incluindo de outro programa, o “Newsnight”.

A crise mais grave da BBC em décadas

A disputa evoluiu para a crise mais grave da emissora em décadas. O diretor-geral, Tim Davie, e a diretora de informação, Deborah Turness, demitiram-se esta semana devido à controvérsia, e entre acusações de parcialidade e falhas editoriais.

Starmer afirmou no parlamento, na quarta-feira, que apoia uma “BBC forte e independente”, mas que a emissora tem de “pôr a casa em ordem”.

“Alguns preferiam que a BBC não existisse. Alguns deles estão sentados ali em cima”, disse, apontando para deputados conservadores da oposição. “Eu não sou um deles. Numa era de desinformação, o argumento a favor de um serviço noticioso britânico imparcial é mais forte do que nunca.”

A BBC, fundada em 1922 e financiada principalmente através de uma taxa obrigatória, enfrenta agora escrutínio sobre se o dinheiro público poderá ser usado para pagar uma eventual indemnização a Trump.

O antigo ministro da Comunicação Social, John Whittingdale, afirmou que haveria “grande indignação” se o dinheiro dos contribuintes fosse utilizado para cobrir indemnizações.

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