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Subiram o Evereste, depois desceram de esquis. Alpinistas inventam novos recordes na montanha mais alta

15 nov, 2025 - 23:37 • João Pedro Quesado

Um alpinista polaco foi o primeiro a não utilizar oxigénio a subir para descer de esquis, e um americano foi o primeiro a esquiar no lado mais perigoso do Evereste.

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Dois alpinistas conquistaram, nos últimos dois meses, duas estreias nos recordes do Evereste. Andrzej Bargiel e Jim Morrison subiram a montanha mais alta do mundo e desceram de ski ora sem oxigénio, ora por um novo percurso, inscrevendo os seus nomes na longa história da montanha.

A 23 de setembro, Andrzej Bargiel tornou-se na primeira pessoa a escalar o Evereste e descer, de esqui, desde o cume — 8.849 metros acima do nível do mar — até ao acampamento base sul — a cerca de 5.300 metros de altitude — sem o auxílio de oxigénio. Apenas cerca de 200 pessoas, em mais de seis mil, conseguiram alcançar o topo do Evereste sem oxigénio.

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Bargiel iniciou a expedição a 19 de setembro, com vários subidas e descidas entre os acampamentos 1, 2 e 3, para adaptação à altitude. A escalada final ao cume começou a partir do acampamento 4 da face sul, a 7.900 metros de altitude, às 23h24 de 21 de setembro.

A subida durou muito mais que o programado, devido a um nevão recente. Ao todo, o alpinista polaco passou quase 16 horas na "zona da morte" sem oxigénio, chegando ao cume às 15h do dia 22 de setembro.


A descida começou pouco depois. Andrzej Bargiel chegou ao acampamento 2, a 6.400 metros de altitude, já de noite, retomando o percurso na manhã de 23 de setembro. Nesse dia, a descida levou-o a navegar cautelosamente a cascata de gelo Khumbu, uma das zonas mais perigosas do Evereste — um labirinto quase vertical de gelo, com fendas profundas, e que, graças ao glaciar, muda de forma ao longo dos dias.

A descida aconteceu sem largar os esquis, e sem cordas — a única ajuda era a do irmão, que conseguia ver o estado do gelo de cima, através de um drone. Andrzej Bargiel concluiu a descida ainda na manhã do dia 23, às 8h45. A expedição vai ser retratada num documentário a lançar em 2026.

"É um dos marcos mais importantes da minha carreira desportiva", disse Andrzej Bargiel. "Descer o Evereste sem oxigénio era um sonho que estava a crescer dentro de mim há anos. Eu sabia que as difíceis condições do outono, e que traçar a linha de descida através do glaciar Khumbu, seriam o maior desafio que eu poderia alguma vez enfrentar".

Andrzej Bargiel na descida da cascata de gelo Khumbu, no Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool
Andrzej Bargiel na descida da cascata de gelo Khumbu, no Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool
Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool
Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool
Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool
Andrzej Bargiel durante a subida ao Evereste. Foto: Bartłomiej Bargiel / Red Bull Content Pool

Bargiel é o único esquiador e alpinista a subir a pé e descer de esqui todas as montanhas com mais de 8 mil metros de altitude na cordilheira de Karakoram, entre o Paquistão, China, Tajiquistão, Afeganistão e Índia — onde está o K2, a segunda montanha mais alta do mundo.

Primeiro a esquiar o lado norte

Jim Morrison escolheu outro caminho — literalmente. O americano tornou-se, a 15 de outubro, a primeira pessoa a descer de esqui o lado norte do Evereste. A subida tinha começado seis semanas e meia antes, e a equipa de 11 alpinistas incluía, além dos tradicionais sherpas, um fotógrafo da National Geographic.

No cume, Morrison espalhou as cinzas de Hilaree Nelson, a sua falecida parceira de expedições, que morreu há três anos, na subida do Manaslu, parte dos Himalaias nepaleses. Depois, o alpinista passou quatro horas e cinco minutos a descer a encosta, com uma inclinação de 50 graus, até ao glaciar de Rongbuk.

Esta foi a terceira tentativa de Jim Morrison descer o lado mais perigoso do Evereste a esquiar. A primeira, em 2023, caiu por terra por problemas com permissões da China. Em 2024, a expedição foi interrompida devido a uma avalanche, que partiu a perna a um elemento da equipa.

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