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Estados Unidos deslocam maior porta-aviões do mundo à Venezuela para pressionar Maduro

16 nov, 2025 - 20:53 • João Pedro Quesado

Os EUA já mataram pelo menos 80 pessoas em 20 ataques diferentes desde o início de setembro, atingindo pequenos barcos que acusa de transportar drogas nas Caraíbas e no oceano Pacífico.

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O maior e mais avançado porta-aviões do mundo, dos Estados Unidos da América (EUA), chegou este domingo ao mar das Caraíbas. A mobilização faz parte da operação "Southern Spear" (Lança do Sul, em português), para aumentar a pressão sobre o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

A chegada do USS Gerald R. Ford faz da missão do governo de Donald Trump a maior concentração de poderio militar na América Latina e do Sul desde a intervenção no Haiti, em 1994. Estão envolvidos cerca de 12 mil marinheiros e fuzileiros navais (conhecidos como "Marines"), além de uma dúzia de outras embarcações militares.

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A formação da Marinha inclui esquadrões de caças militares e contratorpedeiros. As tropas de Trindade e Tobago, ilhas na costa da Venezuela, começaram "exercícios de treino" com os militares norte-americanos, que deverão durar toda a semana, de acordo com o governo da pequena nação caribenha.

O governo de Donald Trump afirma que a movimentação de tropas para as proximidades da Venezuela é uma operação para cortar o fluxo de drogas para os Estados Unidos. Os EUA já mataram pelo menos 80 pessoas em 20 ataques diferentes desde o início de setembro, atingindo pequenos barcos que acusa de transportar drogas nas Caraíbas e no oceano Pacífico.

"Esta é a âncora do que significa ter o poder militar dos EUA de novo na América Latina", disse à Associated Press Elizabeth Dickinson, especialista na zona dos Andes para o International Crisis Group. "Provocou muita ansiedade na Venezuela mas também por toda a região. Acho que toda a gente está a ver isto a suster a respiração para ver como os EUA vão utilizar a força militar".

A especialista admite, também, que a deslocação do USS Gerald R. Ford tem motivos mais políticos que militares, já que "não há nada que um porta-aviões traga que seja útil para combater o comércio de droga".

"Acho que é claramente uma mensagem muito mais virada para pressionar Caracas", aponta Elizabeth Dickinson, apoiada pela avaliação de Bryan Clark, ex-membro da Marinha e analista de defesa no Hudson Institute: "Acho que eles vão querer fazer algumas operações militares a não ser que Maduro se demita no próximo mês".

Nicolás Maduro afirma que os EUA estão a "fabricar" uma guerra contra ele, dias depois de o governo anunciar uma mobilização "massiva" de militares e civis para defender a Venezuela de possíveis ataques dos EUA.

Os republicanos no Senado norte-americano chumbaram, no início de novembro, legislação para controlar a capacidade da Casa Branca lançar um ataque contra a Venezuela sem autorização do Congresso.

Com 337 metros de comprimento e 78 de largura, o USS Gerald R. Ford tem uma torre com 76 metros de altura, pode alcançar os 56 km/h (acima dos 30 nós), e os dois reatores nucleares que lhe dão energia têm uma autonomia de cerca de 25 anos antes da revisão de meia-vida.

Este porta-aviões pode transportar mais de 75 aeronaves, tem quatro sistemas de mísseis terra-ar e 11 sistemas de metralhadoras, e é tripulado por mais de 4.500 militares.

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