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politólogo Diogo Noivo

Governo espanhol está a usar 50 anos da morte de Franco "para agitar ódios presentes"

20 nov, 2025 - 09:30 • Pedro Mesquita , João Malheiro

Diogo Noivo realça que a escolha da efeméride por parte do governo espanhol "é surpreendente e discutível".

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Politólogo Diogo Noivo sobre 50 anos de Franco
Ouça a opinião do politólogo Diogo Noivo, ouvido pelo jornalista Pedro Mesquita

Espanha assinala esta quinta-feira os 50 anos da morte do ditador Francisco Franco e o politólogo Diogo Noivo considera que o governo de Pedro Sanchez está a usar a data para "agitar ódios presentes".

Meio século depois, esta é uma data que continua a dividir os espanhóis. À Renascença, Diogo Noivo diz que o executivo espanhol tem procurado "usar fantasmas do passado" e "polarizar a sociedade" e daí retirar dividendos políticos.

"Há um conjunto de cerimónias e de mesas redondas. Ficamos na dúvida se é recordar, assinalar ou ressuscistar Francisco Franco", ironiza.

O especialista realça que a escolha da efeméride por parte do governo espanhol "é surpreendente e discutível", porque Espanha podia escolher celebrar outra data "que assinalasse o início da democracia", como as primeiras eleições livres, em 1977.

"A morte do ditador, por si só, não se traduz no início da democracia. Quando Franco morre não era de todo evidente que o regime ditatorial pudesse ser substituído", sublinha.

Para o politólogo, Pedro Sanchez "usa a memória bastante enviesada da história recente de Espanha" apenas em "períodos eleitorais ou pré-eleitorais". Algo que tem feito com que o espírito de consenso e de cedências mútuas entre esquerda e direita em Espanha "esteja completamente dinamitado".

E no dia em que Espanha assinala os 50 anos da morte de Francisco Franco, há uma dúvida que se coloca: Meio século depois, poderemos considerar que a transição espanhola para a democracia foi mais bem conseguida do que em Portugal?

Diogo Noivo admite que sim, se compararmos hoje os dois países nas suas dimensões económica e social.

"Espanha tem desafios grandes, mas é uma grande potência europeia e tem uma sociedade vibrante. Nesse sentido, a transição espanhola não foi um fracasso", conclui.

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