21 nov, 2025 - 08:25 • Olímpia Mairos
Pelo menos quatro cristãos foram assassinados — um deles decapitado — na última semana na Diocese de Nacala, que faz fronteira com a província de Cabo Delgado, em Moçambique. A denúncia foi feita por D. Alberto Vera, bispo de Nacala, em mensagem enviada à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
O prelado descreve uma situação “dramática” e apela, através da Fundação AIS, às orações de todos, afirmando que as populações estão “aterrorizadas e sem saída”. Há relatos de centenas de casas queimadas e milhares de pessoas em fuga. A violência atinge novamente uma região que, em setembro de 2022, já tinha sido palco de ataques, quando terroristas invadiram uma missão católica e assassinaram a tiro a Irmã Maria de Coppi.
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Desde o dia 10 de novembro, o distrito de Memba, na província de Nampula, tem sido alvo de sucessivos ataques de grupos terroristas que, desde 2017, devastam o norte de Moçambique. Diversas localidades foram atacadas, com centenas de casas incendiadas, milhares de deslocados, pelo menos quatro cristãos mortos e duas capelas destruídas. Há também relatos de sequestros, incluindo de mulheres e crianças.
“Foi uma semana de terror e de muito sofrimento”, relatou D. Alberto Vera, acrescentando que milhares de pessoas fugiram em busca de refúgio nas cidades, tentando escapar à fúria dos homens armados que dizem pertencer ao grupo jihadista Estado Islâmico.
Os ataques começaram na segunda-feira, dia 10, e intensificaram-se ao longo da semana. O bispo conta que “pais e jovens tiveram de fugir às pressas; alguns partiram na noite de sexta-feira [14 de novembro] e só chegaram na manhã de sábado a lugares mais seguros”.
As comunicações precárias dificultam a obtenção de números exatos, mas o bispo assegura que milhares de famílias estão em sofrimento e em fuga.
“A confusão é muito grande. Há várias aldeias em que queimaram quase todas as casas, e em algumas houve mortos”, descreve.
D. Alberto revela ainda que, “numa das aldeias, os terroristas mataram quatro cristãos, um deles decapitado”. Segundo o bispo, “há um vídeo a circular” com imagens macabras do crime.
“Não posso dizer muito mais… o terror está por toda a parte no distrito de Memba e também em áreas do norte e leste do distrito de Eráti”, lamenta o bispo, acrescentando que a Igreja está “a apoiar as pessoas que conseguimos”.
Entre as necessidades mais urgentes, D. Alberto destaca a falta de alimentos, kits básicos e apoio a mulheres, crianças e padres deslocados.
Segundo as autoridades moçambicanas, a maioria dos ataques concentrou-se no posto administrativo de Mazula, nos dias 14 e 15 de novembro, prosseguindo depois para as localidades de Chipene e Baixo Pinta.
A ONU estima que cerca de 128 mil pessoas tenham fugido apenas na última semana das povoações de Lúrio e Mazula, em Memba. De acordo com o relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), há relatos de casas e uma escola incendiadas, propriedades saqueadas e civis mortos, feridos ou sequestrados.