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África

Presidente Embaló foi deposto, militares assumem controlo da Guiné-Bissau

26 nov, 2025 - 13:50 • Ana Kotowicz , Carla Fino , Eva Massy, enviada a Bissau

Foi o próprio Umaro Sissoco Embaló quem confirmou ter sido detido quando estava no seu gabinete no palácio presidencial. Eleições decorreram no domingo e Embaló reivindicava vitória.

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O Presidente da Guiné-Bissau foi deposto esta quarta-feira, anunciou um grupo de oficiais do exército. Durante a declaração, lida na televisão estatal a partir do quartel-general do exército, os militares afirmaram ter assumido o controlo do país e suspendido o processo eleitoral em curso. As fronteiras do país africano foram fechadas.

O anúncio foi feito cerca de uma hora depois de Umaro Sissoco Embaló ter sido detido quando se encontrava no palácio presidencial. Antes disso, a imprensa local relatava que se ouviam tiros na capital, junto do edifício da comissão eleitoral que deveria apresentar, esta quinta-feira, resultados das presidenciais de domingo.

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Foi o próprio Umaro Sissoco Embaló — que reivindica vitória nas eleições — quem confirmou ter sido detido à revista Jeune Afrique. O presidente garantiu não ter sofrido qualquer agressão física.

Segundo a imprensa local, o tiroteio começou depois de terem sido divulgados os primeiros resultados parciais das eleições de domingo, com militares a dirigirem-se para o palácio com intenção de deter Embaló.

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Ouça o relato de Eva Massy, enviada da Renascença à Guiné-Bissau

O presidente em exercício alega ter vencido as eleições, com 65% dos votos, embora o principal candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, também tenha assumido vitória. Até à data não há resultados oficiais e os candidatos baseiam-se nas suas próprias contagens para reivindicar vitória.

Ainda segundo a Jeune Afrique, foram também detidos o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, General Biague Na Ntan, o vice-chefe do Estado-Maior, general Mamadou Touré, e o ministro do Interior, Botché Candé.

Segundo Embaló, todos estão detidos no quartel-general do Estado-Maior.

Já a agência Reuters cita um porta-voz de Embaló, António Yaya Seidy, que acusou — sem apresentar provas — os apoiantes de Fernando Dias da Costa de estarem envolvidos no tiroteio e na detenção de Embaló.

Em contrapartida, o principal líder da oposição — que foi impedido de concorrer a estas eleições — aponta o dedo a Embaló. Domingos Simões Pereira, citado pela Jeune Afrique, diz ter sido avisado, enquanto estava reunido com observadores da União Africana, de que militares tentaram entrar nos escritórios da comissão eleitoral “para forçar o seu presidente a ler resultados que declaravam Umaro Sissoco Embaló vencedor”.

Segundo o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde foi Fernando Dias, o candidato que apoia, que "venceu na primeira volta”.

Governo português apela à serenidade

O governo português emitiu um comunicado sobre a situação na Guiné-Bissau, apelando à serenidade de todos os envolvidos.

"Em face dos acontecimentos que interromperam o curso da normalidade constitucional na Guiné Bissau, o Governo português apela a que todos os envolvidos se abstenham de qualquer ato de violência institucional ou cívica", lê-se na nota, onde se apela ainda ao rápido regresso ao normal funcionamento das instituições, de modo a que se possa finalizar o processo de apuramento e proclamação dos resultados eleitorais.

O Governo dá ainda conta de estar em contacto permanente com a embaixada portuguesa em Bissau, para se inteirar da situação dos cidadãos portugueses e da população em geral.

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