Federica Mogherini
Antiga chefe da diplomacia europeia acusada de fraude e corrupção
03 dez, 2025 - 18:50 • Reuters
Segundo a Procuradoria Europeia, a investigação incide sobre suspeitas de fraude relacionadas com formação financiada pela UE para jovens diplomatas.
A antiga chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini e mais duas pessoas foram formalmente acusadas de fraude em contratos públicos, corrupção, conflito de interesses e violação de segredo profissional, informou esta quarta-feira a Procuradoria Europeia (EPPO).
Os três suspeitos foram detidos na terça-feira no âmbito de uma investigação de fraude na União Europeia e já foram libertados enquanto o inquérito prossegue, acrescentou a EPPO, sublinhando que não existe risco de fuga.
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Segundo a procuradoria, a investigação incide sobre suspeitas de fraude relacionadas com formação financiada pela UE para jovens diplomatas.
“Relativamente ao processo de criação da Academia Diplomática da União Europeia, esclareci ontem a minha posição perante os investigadores que atuam em nome da Procuradoria Europeia”, afirmou Mogherini em comunicado.
“Tenho total confiança no sistema de justiça... Evidentemente, continuarei a colaborar plenamente com as autoridades”, sublinhou.
A EPPO identificou os outros dois suspeitos como um responsável sénior do Colégio da Europa, em Bruges, e um alto funcionário da Comissão Europeia. Três fontes disseram à Reuters que um dos detidos era o diplomata europeu Stefano Sannino.
“Todas as pessoas são presumidas inocentes até prova em contrário pelos tribunais competentes da Bélgica”, lembrou ainda a EPPO.
As detenções seguiram-se a buscas no Serviço Europeu de Ação Externa, em Bruxelas, no Colégio da Europa — a universidade de elite de Bruges que forma grande parte dos quadros da UE — e nas residências dos suspeitos.
Mogherini foi Alta Representante da UE para a Política Externa e de Segurança e chefe da diplomacia europeia entre 2014 e 2019. Tornou-se reitora do Colégio da Europa em 2020.
Mogherini e Sannino, ambos de nacionalidade italiana, são figuras bem conhecidas nos círculos diplomáticos de Bruxelas, e a notícia das suas detenções provocou forte impacto na comunidade europeia.
Numa carta enviada esta quarta-feira ao pessoal do serviço diplomático da UE, a que a Reuters teve acesso, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que “as alegações são profundamente chocantes, mas não devem de forma alguma manchar o bom trabalho que a grande maioria de vós realiza diariamente”.
“Podem estar seguros de que estamos a cooperar plenamente com a investigação, garantindo total transparência”, acrescentou, sublinhando: “Quero reiterar a minha confiança de que será respeitado o devido processo e mantida a presunção de inocência.”
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