05 dez, 2025 - 14:58 • Fábio Monteiro
A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, assinada por Donald Trump, aponta a Europa como um continente em “declínio civilizacional”, ameaçado pelas políticas migratórias e regulatórias da União Europeia.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.
O documento com 33 páginas antecipa que, a manter-se o rumo atual, alguns países da NATO deixarão de ter identidade europeia, comprometendo a solidez da aliança atlântica e a estabilidade no continente.
O documento sublinha que os problemas da Europa vão além da estagnação económica ou da falta de investimento na defesa. “Os responsáveis políticos norte-americanos habituaram-se a pensar os problemas europeus em termos de baixos gastos militares e estagnação económica. Há alguma verdade nisso, mas os problemas reais da Europa são mais profundos.”
A Casa Branca considera que, embora o continente tenha vindo a perder peso no PIB global, esse fenómeno económico é secundário face à ameaça identitária. “Esse declínio económico é eclipsado pela perspetiva real e mais gritante de desaparecimento civilizacional.”
A manter-se o rumo atual, o relatório antecipa uma rutura histórica: “Se esta tendência continuar, o continente será irreconhecível em menos de 20 anos.”
A origem deste processo, segundo Washington, está ligada à ação de instituições transnacionais e às decisões adotadas por vários governos europeus.
“Os maiores problemas que a Europa enfrenta incluem medidas da União Europeia e outras entidades internacionais que enfraquecem a liberdade e a soberania política; políticas migratórias que estão a transformar o continente e a gerar revolta; limitação da liberdade de expressão e supressão de opositores políticos; colapso dos nascimentos e a perda de identidade nacional e autoconfiança.”
A questão migratória é apresentada como central para o futuro da Europa. Para os Estados Unidos, controlar quem entra no país é uma questão de sobrevivência nacional. “Quem um país admite dentro das suas fronteiras — em que número e de onde — definirá inevitavelmente o futuro dessa nação.”
O texto remete para alegadas práticas históricas: “Ao longo da História, as nações soberanas proibiram a migração descontrolada e concederam cidadania apenas raramente a estrangeiros, que também tinham de cumprir critérios exigentes.”
A Casa Branca considera que as escolhas feitas pela Europa nos últimos anos levaram a uma crise de coesão e identidade. “Queremos que a Europa continue europeia, recupere a sua autoconfiança civilizacional e abandone o seu foco falhado no sufoco de regulamentos.”
O documento expressa preocupação sobre a capacidade futura de alguns países europeus manterem o seu compromisso com a NATO, nomeadamente por razões demográficas.
“É mais do que plausível que, dentro de poucas décadas, alguns membros da NATO se tornem maioritariamente não-europeus. Assim, não é claro se esses países continuarão a ver o seu lugar no mundo, ou a sua aliança com os Estados Unidos, da mesma forma que os que assinaram a Carta da NATO.”
A falta de autoconfiança e os desequilíbrios internos estão, segundo o relatório, a comprometer a capacidade da Europa de lidar com a Rússia. “As relações europeias com a Rússia estão profundamente enfraquecidas com o início da guerra na Ucrânia.”
Apesar de afirmar o interesse em negociar o fim do conflito, a administração Trump acusa alguns governos europeus de manterem posições irrealistas e dependências externas problemáticas.
“As empresas químicas alemãs estão a construir algumas das maiores fábricas de processamento do mundo na China, com gás russo que não conseguem obter no seu próprio país.”
Mesmo com todas as críticas, os Estados Unidos reiteram a importância da Europa no seu plano estratégico. “A Europa é o berço das melhores pesquisas científicas e das instituições culturais mais relevantes. Não podemos riscar a Europa — fazê-lo seria contraproducente para esta estratégia.”
EUA
Presidente dos EUA diz que estes imigrantes "devem(...)