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África

Dezenas de civis mortos em ataques com drones a escola e hospital no Sudão

07 dez, 2025 - 16:31 • Lusa

Dezenas de civis, incluindo crianças, foram mortos em ataques com drones atribuídos a paramilitares em Kalogi, cidade do Sudão controlada pelo exército, na região de Kordofan, onde se concentram os combates entre campos rivais, segundo um responsável local.

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Três ataques atingiram, na quinta-feira, "uma creche, depois um hospital" e, de seguida, "pessoas que tentavam socorrer as crianças" nesta cidade do sul de Kordofan controlada pelo exército, disse à agência France Presse (AFP) al-Din al-Sayed, chefe da unidade administrativa de Kalogi.

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Contactado pela AFP através de uma ligação Starlink, o responsável imputou o ataque às Forças de Apoio Rápido (FSR), em guerra com o exército desde abril de 2023, e seus aliados do Movimento Popular de Libertação do Norte do Sudão, liderado por Abdelaziz al-Hilu.

A verificação das informações em Kordofan padece de dificuldades de comunicação, numa zona de acesso pouco viável, e o balanço dos ataques mortíferos de Kalogi permanece incerto, esclarece a AFP, que acrescenta não ter sido possível obter um comentário das FSR sobre os ataques.

O responsável regional contactado pela AFP disse, todavia, haver 79 mortos, dos quais 40 crianças.

Na quinta-feira, a agência das Nações Unidas para a infância (UNICEF) indicou que o ataque tinha matado mais de 10 crianças entre os cinco e os sete anos, enquanto as autoridades alinhadas com o exército estimavam o número de mortos em 79, incluindo 43 crianças.

A União Africana registou mais de 100 mortos, este domingo, segundo números divulgados numa mensagem na rede social X pelo presidente Mahmoud Ali Youssouf, que se manifestou "consternado com as repetidas e crescentes atrocidades cometidas contra civis na região".

"Matar crianças na escola é uma violação horrível dos direitos da criança", denunciou na quinta-feira Sheldon Yett, representante da UNICEF no Sudão, apelando a uma trégua humanitária.

Até agora, os esforços internacionais de paz não surtiram efeito, com os dois lados a tentarem consolidar posições no terreno antes de qualquer negociação.

A guerra entre o exército e as FSR já causou dezenas de milhares de mortos e 12 milhões de deslocados, mergulhando o país no que a ONU descreve como a pior crise humanitária do mundo.

Depois de tomarem El-Facher, o último bastião do exército em Darfur (oeste do Sudão), no final de outubro, as FSR avançaram com uma ofensiva na região vizinha de Kordofan, uma zona agrícola fértil, rica em ouro e instalações petrolíferas.

Esta região é um ponto estratégico para o abastecimento, movimentação de tropas e comunicações. Segundo analistas, o avanço dos paramilitares tem como objetivo quebrar o arco defensivo do exército em torno do centro do Sudão, com vista a uma contraofensiva sobre a capital, Cartum, e outras cidades perdidas nos últimos meses.

Os combates forçaram mais de 40.000 pessoas a fugir do Kordofan, segundo a ONU.

Na quinta-feira, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou temer "uma nova onda de atrocidades". "É verdadeiramente chocante ver a história repetir-se em Kordofan tão pouco tempo depois dos terríveis acontecimentos de El-Facher", afirmou, referindo-se a "casos de represálias, detenções arbitrárias, raptos, violência sexual e recrutamentos forçados, incluindo de crianças".

Desde o final de outubro, a tomada de El-Facher pelas FSR foi marcada por massacres, violações e pilhagens, segundo vários testemunhos de agentes humanitários e de sobreviventes.

Os ataques a Kalogi ocorrem num momento em que o exército e os paramilitares se acusam mutuamente de ataques mortais.

No norte de Darfur, um camião do Programa Alimentar Mundial (PAM) foi atacado, na quinta-feira, perto da cidade de Hamra El-Sheih, segundo a organização. O camião fazia parte de um comboio de ajuda destinado à cidade refúgio de Tawila, 70 quilómetros a oeste, para onde fugiram milhares de civis de El Facher.

O enviado especial norte-americano Massad Boulos condenou, no sábado, o ataque, apelando às partes beligerantes para que "cessassem as hostilidades e permitissem o acesso humanitário sem entraves".

Na sexta-feira, as FSR acusaram o exército de ter bombardeado a passagem de Adre, na fronteira com o Chade, crucial para a passagem de comboios humanitários. Todavia, fontes locais chadianas, que pediram o anonimato, referiram ter havido uma explosão relacionada com o incêndio de um camião-cisterna.

O exército acusa os Emirados Árabes Unidos de fornecer armas às FSR, nomeadamente através do Chade e da Líbia, o que Abu Dhabi nega, apesar das provas documentadas em vários relatórios internacionais e inquéritos independentes.

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