07 dez, 2025 - 18:50 • Reuters
A Rússia saudou este domingo a nova estratégia de segurança nacional do Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que o documento está, em grande medida, alinhado com a visão do Kremlin.
Esta é a primeira vez que Moscovo elogia de forma tão enfática um texto deste género vindo do antigo rival da Guerra Fria.
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A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA descreve a visão de Trump como uma abordagem de “realismo flexível” e defende que Washington deve recuperar a Doutrina Monroe do século XIX, que declarava o Hemisfério Ocidental como zona de influência norte-americana.
O documento, assinado por Trump, alerta ainda que a Europa enfrenta uma “aniquilação civilizacional”, que é um “interesse central” dos EUA negociar o fim da guerra na Ucrânia e que Washington pretende restabelecer a estabilidade estratégica com a Rússia.
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“As adaptações que observamos correspondem, em muitos aspetos, à nossa visão”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao jornalista Pavel Zarubin, da televisão estatal russa, quando questionado sobre a nova estratégia norte-americana.
Uma convergência pública tão expressiva entre Moscovo e Washington sobre os grandes movimentos da política global é rara, embora ambos tenham cooperado estreitamente após a queda da União Soviética em 1991, no processo de devolução de armas nucleares das ex-repúblicas soviéticas para a Rússia, e após os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Durante a Guerra Fria, Moscovo retratava os Estados Unidos como um império capitalista decadente condenado pelas certezas históricas do marxismo, enquanto Ronald Reagan, em 1983, apelidava a União Soviética de “império do mal” e “foco do mal no mundo moderno”.
Depois do colapso soviético, Moscovo acalentou expetativas de uma parceria com o Ocidente, mas à medida que Washington avançou com o alargamento da NATO — tal como delineado na estratégia de 1994 do Presidente Bill Clinton — as tensões começaram a intensificar-se. Estas acabariam por atingir o ponto de ruptura com Vladimir Putin, que assumiu o poder no último dia de 1999.
Questionado sobre o compromisso presente no documento norte-americano de pôr fim “à perceção — e à realidade — da NATO como uma aliança em expansão perpétua”, Peskov considerou o sinal encorajador.
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Mas o porta-voz alertou igualmente que aquilo a que chamou o “Estado profundo” dos EUA vê o mundo de forma diferente de Trump — expressão que o Presidente tem usado para denunciar uma alegada rede entrincheirada de responsáveis norte-americanos que procuraria minar quem desafia o statu quo, incluindo o próprio Trump.
Os críticos do Presidente norte-americano argumentam que não existe tal “Estado profundo” e que Trump e os seus aliados alimentam uma teoria da conspiração para justificar uma concentração de poderes no executivo.
Desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, e a invasão da Ucrânia em 2022, as estratégias norte-americanas têm classificado Moscovo como agressor ou ameaça empenhada em desestabilizar pela força a ordem pós-Guerra Fria.
Em declarações à agência estatal TASS, Peskov considerou positivo que o documento apelasse à cooperação com Moscovo em questões de estabilidade estratégica, em vez de descrever a Rússia como ameaça direta.
A estratégia de Trump descreve o Indo-Pacífico como um dos “principais campos de batalha económicos e geopolíticos”, afirmando que os EUA reforçarão a sua capacidade militar e a dos aliados para evitar um conflito com a China por Taiwan.
A Rússia voltou-se para a Ásia — e para a China em particular — depois de o Ocidente ter imposto sanções devido à guerra na Ucrânia e de a Europa procurar reduzir a dependência do petróleo e gás russos.
Em março, Trump afirmou à Fox News que “como estudante de História — que sou, e acompanho tudo — a primeira coisa que se aprende é que não se quer que a Rússia e a China se aproximem”.