Ouvir
  • Noticiário das 16h
  • 17 mai, 2026
A+ / A-

União Europeia

Europa não pode aceitar "ameaça de interferência" política dos EUA, diz Costa

08 dez, 2025 - 10:09 • Lusa

Após a divulgação da nova estratégia de segurança norte-americana, António Costa responde às criticas aos europeus da admnistração Trump. "Se somos aliados, devemos agir como tal."

A+ / A-

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou esta segunda-feira que a Europa não pode aceitar uma "ameaça de interferência" na sua vida política, após a divulgação da nova estratégia de segurança dos EUA, que critica os europeus.

"O que não podemos aceitar é esta ameaça de interferência na vida política da Europa", declarou António Costa, numa intervenção no Instituto Jacques Delors, salientando que "os Estados Unidos não podem substituir os cidadãos europeus na escolha de quais são os bons partidos e os maus partidos".

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

A Administração norte-americana, liderada pelo presidente Donald Trump, divulgou na sexta-feira um documento que redefine a sua "Estratégia de Segurança Nacional". Segundo a agência France-Presse, o documento, muito aguardado, formaliza a ofensiva lançada por Washington contra o continente europeu há meses.

Entre outros alvos da Administração norte-americana, estão as instituições europeias que alega minarem "a liberdade política e a soberania", as políticas migratórias, a "censura à liberdade de expressão e a repressão da oposição política, o colapso das taxas de natalidade e a perda das identidades nacionais e da autoconfiança" na Europa.

"Temos diferenças nas nossas visões do mundo, mas isto vai para além disso. Esta estratégia continua a falar da Europa como uma aliada, mas, se somos aliados, devemos agir como aliados" e respeitar a soberania uns dos outros, defendeu António Costa.

Para o presidente do Conselho Europeu, "os Estados Unidos continuam a ser um aliado importante, os Estados Unidos continuam a ser um parceiro económico importante". "Mas a nossa Europa tem de ser soberana", concluiu.

Na "Estratégia de Segurança Nacional", alerta-se para o perigo de "extinção civilizacional" da Europa, caso se mantenham as "tendências atuais".

"Se as tendências atuais continuarem, o continente [Europa] vai ficar irreconhecível dentro de 20 anos ou menos", lê-se no documento, de 33 páginas, analisado pela agência de notícias francesa AFP, onde é defendida a "restauração da supremacia" dos EUA na América Latina.

Trump, no prefácio, resume: "Pomos a América em primeiro lugar em tudo o que fazemos".

"É mais do que plausível que, em poucas décadas, no máximo, os membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, na sigla inglesa) se tornem predominantemente não europeus", escreveu, acrescentando que "é legítimo questionar se eles perceberão seu lugar no mundo ou sua aliança com os EUA, da mesma forma que aqueles que assinaram a carta da organização".

Washington manifesta o desejo de que "a Europa permaneça europeia, recupere sua autoconfiança civilizacional e abandone sua obsessão infrutífera com o sufoco regulatório".

No texto, defende-se ainda que "a era das migrações massivas tem de acabar" e que "a segurança das fronteiras é o principal elemento da segurança nacional [norte-americana]".

Entre outros aspetos, a estratégia dos EUA anuncia um reajustamento da sua presença militar no mundo, "para responder às ameaças emergentes" naquele continente e um "afastamento de "teatros" [de operações] cuja importância relativa para a segurança nacional americana diminuiu nos últimos anos ou décadas".

Ouvir
  • Noticiário das 16h
  • 17 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Dirigentes
    08 dez, 2025 Precisam-se 12:31
    Trump é um bronco, mas é um bronco com Poder, ao contrário da Europa que habituada a viver da proteção dos EUA, agora que essa "proteção" é no minimo, duvidosa, anda atarantada a multiplicar-se em reuniões pífias onde se vê que estão esperançosos num novo Presidente americano, em lugar de porem os Trumps deste mundo no seu lugar. Mas claro, para isso acontecer, teriamos de ter tido De Gaulles, Churchills e outros, e o que tivemos foi Hollandes e Merkels

Vídeos em destaque