10 dez, 2025 - 14:01 • Olímpia Mairos
A filha da líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, recebeu esta terça-feira, em Oslo, o Prémio Nobel da Paz em nome da mãe, que não conseguiu chegar a tempo à cerimónia, mas deverá marcar presença ainda hoje na capital norueguesa.
“Estou aqui em nome da minha mãe, que uniu milhões de venezuelanos num esforço extraordinário pela verdade, pela liberdade, pela democracia e pela paz”, começou por afirmar Ana Corina Machado. As palavras foram seguidas por uma longa ovação, com todos os presentes de pé.
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María Corina Machado, uma das principais vozes contra o regime venezuelano, foi distinguida pela sua luta pacífica em defesa da democracia e dos direitos humanos. No discurso, escrito pela laureada, a filha revelou que, após 16 meses em prisão domiciliária, a mãe poderá finalmente reencontrar a família.
“Com toda a alegria no meu coração, posso dizer que em poucas horas vamos abraçá-la aqui em Oslo”, revelou.
A intervenção recordou a trajetória da Venezuela — da independência às crises recentes — e denunciou a repressão política, as torturas e as perseguições que marcaram as últimas décadas. Também destacou a coragem do povo venezuelano, que, mesmo sob ameaça, continuou a lutar por liberdade: “O amor derrotou o medo. A coragem derrotou a opressão”.
Símbolo da resistência democrática na América Latina, María Corina Machado viu a sua candidatura presidencial ser proibida em 2024 pelo governo, mas o movimento que lidera inspirou uma mobilização sem precedentes, culminando no reconhecimento internacional com o Nobel da Paz.
“Minha mãe nunca quebra uma promessa. Ela quer viver numa Venezuela livre — e nunca desistirá desse propósito”, disse Ana Corina, sob aplausos emocionados.
A jovem sublinhou, depois, que este prémio tem um significado profundo: “lembrar ao mundo que a democracia é essencial para a paz”.
“E, mais importante, que se queremos democracia, devemos estar dispostos a lutar pela liberdade. A liberdade conquista-se a cada dia, na medida em que estamos dispostos a defendê-la. É por isso que a causa da Venezuela transcende as nossas fronteiras. Um povo que escolhe ser livre não apenas se liberta, mas também contribui para toda a humanidade”, acrescentou.
No final, Ana Corina Machado, dedicou o Nobel aos que continuam a pagar o preço da resistência: “Aos nossos presos políticos, aos perseguidos, às suas famílias e a todos aqueles que defendem os direitos humanos — este prémio pertence-lhes”.
Antes da entrega do prémio, o presidente do Comité Nobel norueguês, Jorgen Watne Frydnes, apresentou María Corina Machado como um símbolo da resistência democrática e da coragem civil na América Latina. No seu discurso, destacou que a luta travada na Venezuela pela defesa da liberdade “representa uma das demonstrações mais extraordinárias de coragem cívica do nosso tempo.”
Frydnes aproveitou também para fazer um apelo direto ao regime venezuelano e denunciar as violações de direitos humanos no país.
“Enquanto estamos aqui reunidos, pessoas inocentes permanecem trancadas em celas escuras na Venezuela. Elas não podem ouvir os discursos de hoje — apenas os gritos dos prisioneiros sendo torturados. Senhor Maduro, aceite os resultados e renuncie ao poder”, pediu.