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Ataque aéreo atinge hospital e mata 30 pessoas em Myanmar

11 dez, 2025 - 07:01 • Reuters

Exército de Arakan reivindica que hospital foi atingido por aeronave militar.

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Pelo menos 30 pessoas morreram, incluindo doentes, depois de um ataque aéreo da junta militar no poder ter atingido um importante hospital no estado de Rakhine, no oeste de Myanmar, segundo um grupo rebelde, um trabalhador humanitário e uma testemunha, esta quinta-feira.

Mais de 70 pessoas terão ficado feridas.

O hospital no município de Mrauk U, em Rakhine, foi atingido na noite de quarta-feira por bombas lançadas por uma aeronave militar, disse Khine Thu Kha, porta-voz do Exército Arakan, que combate a junta militar governante em partes do estado costeiro.

"O Hospital Geral de Mrauk U foi completamente destruído", disse Khine Thu Kha à Reuters. "O elevado número de vítimas ocorreu porque o hospital foi atingido em cheio."

Um porta-voz da junta não respondeu aos pedidos de comentários.

Myanmar está mergulhado em conflito desde que os militares reprimiram os protestos contra o golpe de Estado de 2021, que depôs o governo eleito liderado pela vencedora do Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

O hospital, com 300 camas, estava cheio de doentes no momento do ataque, disse o assistente social Wai Hun Aung, uma vez que a maioria dos serviços de saúde em vastas áreas do estado de Rakhine estão suspensos devido aos combates em curso.

Hospital em ruínas

Na quinta-feira de manhã, o hospital estava em ruínas, com o teto a cair, colunas e vigas destruídas e corpos de vítimas espalhados pelo chão, de acordo com imagens partilhadas por Wai Hun Aung, que também publicou nas redes sociais.

A Reuters não conseguiu verificar as imagens de imediato.

"Os restantes doentes foram transferidos para um local seguro", disse à Reuters.

Pouco depois de ouvir o som de explosões na noite de quarta-feira, um residente de Mrauk U, de 23 anos, disse que correu para o local.

"Quando cheguei, o hospital estava em chamas", disse, pedindo para não ser identificado por questões de segurança. "Vi muitos corpos espalhados e muitas pessoas feridas".

A junta militar, que possui a única força aérea em Myanmar, tem utilizado cada vez mais ataques aéreos para atingir alvos dentro das áreas controladas pelos rebeldes.

De janeiro até ao final de novembro deste ano, a junta realizou 2.165 ataques aéreos, em comparação com 1.716 incidentes semelhantes durante todo o ano de 2024, de acordo com o Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED).

Os grupos de resistência formados após o golpe juntaram-se a grandes exércitos étnicos, como o Exército Arakan, para enfrentar os militares, que combatem a rebelião em múltiplas frentes.

Desde o rompimento do cessar-fogo em 2023, o Exército Arakan expulsou os militares de 14 dos 17 municípios de Rakhine, assumindo o controlo de uma área maior do que a Bélgica, segundo uma análise publicada pelo Instituto ISEAS - Yusof Ishak.

O município de Mrauk-U, localizado no norte do estado de Rakhine, está sob o controlo do Exército Arakan desde o ano passado e não houve combates recentes na área, afirmou Khine Thu Kha.

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