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Três norte-americanos mortos em alegado ataque do Estado Islâmico na Síria

13 dez, 2025 - 18:16 • Daniela Espírito Santo com Reuters

Ministro da Administração Interna da Síria já confirmou que atacante era membro das forças de segurança locais e tinha "ideologia extremista". Trump reage e fala em "emboscada".

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Três norte-americanos foram mortos na Síria este sábado por um alegado atacante do Estado Islâmico que tinha como alvo um comboio de forças norte-americanas e sírias, informou o Exército norte-americano. Tratavam-se de dois soldados do exército norte-americano e um civil, que seria intérprete em contexto militar.

Outros três soldados norte-americanos ficaram feridos, informou o Comando Central do Exército dos EUA.

"Vamos retaliar contra o ISIS", garante Trump

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já reagiu. Numa primeira declaração sobre o assunto, Trump lamenta a morte de "três grandes patriotas" no que apelidou como "uma emboscada" e assegura que o ataque não ficará sem resposta. "Vamos retaliar contra o ISIS. E se as forças norte-americanas forem novamente atacadas iremos mesmo retaliar".

"Haverá uma retaliação muito grave", começa por dizer numa publicação na sua rede social, a Truth Social. Na mesma mensagem, Trump adianta que o ataque aconteceu numa "região muito perigosa do país", que "não está totalmente controlada" pelas forças sírias. "O Presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, está extremamente indignado e perturbado com este ataque", acrescenta.

O ministro da Administração Interna da Síria, no entretanto, também já confirmou que o atacante era membro das forças de segurança locais e tinha "ideologia extremista".

Em comunicado, o Comando Central afirmou que o ataque, levado a cabo por um atirador solitário, ocorreu "enquanto os soldados conduziam uma operação de reconhecimento com um líder importante" na cidade de Palmira, no centro da Síria.

A informação foi confirmada, igualmente, pelo assistente do secretário da Defesa norte-americano, Sean Parnell, que, nas redes sociais, garantiu que a missão das vítimas seria a de dar "apoio às operações em andamento de combate ao Estado Islâmico e ao terrorismo na região".

Os nomes dos militares serão mantidos em sigilo até 24 horas após a notificação dos familiares, informou Parnell, que adianta que o ataque está já "sob investigação".

"Forças parceiras" mataram o atacante, escreveu, por sua vez, o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, também nas redes sociais.

"O selvagem que perpetrou esse ataque foi morto pelas forças parceiras. Que fique claro: quem atacar norte-americanos — em qualquer lugar do mundo — passará o resto de sua breve e angustiante vida a saber que os EUA irão caçá-lo, encontrá-lo e matá-lo impiedosamente", assegura Hegseth, agora com a designação de secretário da Guerra dos EUA.

O Estado Islâmico não reivindicou a autoria do ataque de imediato, mas uma alta autoridade norte-americana disse que as avaliações iniciais indicam que o grupo militante terá provavelmente realizado o ataque. O ataque ocorreu numa área não controlada pelo Governo sírio, disse o responsável.

A agência de notícias estatal síria SANA citou uma fonte de segurança dizendo que dois militares sírios ficaram feridos, sem adiantar mais pormenores. A fonte disse à SANA que helicópteros norte-americanos retiraram os feridos para uma base norte-americana na região de Al-Tanf, na Síria, perto da fronteira com o Iraque.

Atacante seria membro das forças de segurança sírias

Por sua vez, autoridades locais confirmaram à Agência Reuters que o homem que atacou militares sírios e norte-americanos este sábado em Palmira, no centro da Síria, era membro das forças de segurança sírias.

Um porta-voz do Ministério do Interior sírio disse ao canal de televisão sírio Al-Ikhbariya que o atacante não ocupava qualquer cargo de liderança nas forças de segurança, mas nãoo informou se o homem era um membro de baixa patente.

Tom Barrack, embaixador dos EUA na Turquia e enviado especial para a Síria, condenou o ataque. "Lamentamos a perda de três bravos militares e civis norte-americanos e desejamos uma rápida recuperação aos soldados sírios feridos no ataque", disse Barrack em comunicado. "Continuamos empenhados em derrotar o terrorismo com os nossos parceiros sírios".

O ataque ocorreu pouco mais de um mês depois de a Síria ter anunciado a assinatura de um acordo de cooperação política com a coligação liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico, que coincidiu com a visita do Presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, à Casa Branca.

A coligação realizou ataques aéreos e operações terrestres na Síria contra suspeitos de ligação ao Estado Islâmico nos últimos meses, frequentemente com o envolvimento das forças de segurança sírias. No mês passado, a Síria realizou também uma campanha em todo o país, detendo mais de 70 pessoas acusadas de ligações ao grupo.

Os Estados Unidos mantêm tropas estacionadas no nordeste da Síria, como parte de um esforço de uma década para apoiar uma força liderada pelos curdos na região.

[Notícia atualizada às 18h52 para acrescentar declarações do ministro da Administração Interna da Síria e do Presidente dos EUA, Donald Trump]

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