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Ciência

Cientistas criam embriões de lince-ibérico em laboratório pela primeira vez

15 dez, 2025 - 21:19 • Lusa

Investigação em Espanha utilizou células reprodutoras de fêmeas mortas em acidentes e esperma criopreservado do biobanco da espécie.

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Investigadores conseguiram criar, pela primeira vez, embriões de lince-ibérico através de fertilização "in vitro", o que pode ajudar a garantir a diversidade genética de "um dos animais historicamente mais ameaçados", informou a agência noticiosa espanhola EFE.

A investigação, na qual foram utilizadas células reprodutoras de fêmeas mortas em acidentes e esperma criopreservado do biobanco da espécie, foi liderada por investigadores do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN) do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) de Espanha e da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Complutense de Madrid (UCM), tendo sido publicada na revista "Theriogenology Wild".

Num comunicado citado pela EFE, o MNCN indica que o lince-ibérico (Lynx pardinus) é uma espécie endémica da Península Ibérica que, em apenas duas décadas, passou de menos de 100 indivíduos na natureza (2002) para mais de 2.000 (2024).

No ano passado, a espécie deixou de estar "Em Perigo" de extinção, passando a ter uma classificação de "Vulnerável" na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

"No entanto, devido à perda de diversidade genética, a espécie corre o risco de consanguinidade (acasalamento apenas com indivíduos de ascendência comum), o que diminui as suas probabilidades de sobrevivência, já que provoca doenças e reduz a sua capacidade reprodutiva, situação que poderia ser atenuada através de técnicas de reprodução".

Eduardo Roldán, cientista do MNCN e codiretor da investigação, considera que este estudo "oferece novas opções para o programa de conservação do lince-ibérico, pois possibilita a reprodução de animais que não tiveram essa oportunidade, por exemplo, por morrerem prematuramente ou por terem problemas comportamentais e não acasalarem".

A equipa obteve o material reprodutivo masculino através de uma colaboração com os Centros de Reprodução em Cativeiro do lince-ibérico em Espanha e em Portugal, tendo o esperma recolhido sido criopreservado para armazenamento no Banco de Germoplasma e Tecidos de Espécies Selvagens Ameaçadas do MNCN.

As amostras de fêmeas foram obtidas em Centros de Recuperação de Animais Selvagens que apoiam o programa de conservação do lince-ibérico. .

Os embriões obtidos foram criopreservados por vitrificação e estão atualmente armazenados no biobanco do MNCN.

"Agora precisamos de desenvolver métodos para transferir estes embriões para fêmeas recetoras, o que, sem dúvida, contribuirá para aumentar a diversidade genética desta espécie", observou Ana Muñoz Maceda, investigadora na UCM e autora principal do estudo, citada pela EFE.

O último Censo do Lince-ibérico, de 2024, registou 2.401 linces recenseados, entre Espanha (2.047) e Portugal (354), dos quais 1.557 são adultos ou subadultos e 844 são crias nascidas em liberdade.

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