EUA anunciam mais oito mortos em ataques a três embarcações nas Caraíbas
16 dez, 2025 - 07:37 • Olímpia Mairos , com Lusa
Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), as embarcações “transitavam por rotas conhecidas do narcotráfico no leste do Pacífico e estavam envolvidas em atividades de tráfico de droga”.
As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram a morte de oito alegados traficantes de droga em operações realizadas na noite de segunda-feira contra três embarcações no Pacífico, elevando para pelo menos 95 o número de mortos desde o início de setembro.
Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), as embarcações “transitavam por rotas conhecidas do narcotráfico no leste do Pacífico e estavam envolvidas em atividades de tráfico de droga”. A informação foi divulgada na rede social X, numa publicação acompanhada de um vídeo que mostra ataques a navios em alto-mar.
“Um total de oito narcoterroristas do sexo masculino foram mortos” nas operações, acrescentou o comando militar norte-americano.
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Desde o início de setembro, os Estados Unidos afirmam ter atacado pelo menos 26 embarcações suspeitas de operar no tráfico de droga nas Caraíbas e no leste do Pacífico. As ações resultaram, segundo Washington, em pelo menos 95 mortos, sem que tenham sido apresentadas provas públicas de que as embarcações visadas estivessem efetivamente envolvidas em atividades criminosas. Esta situação tem levado especialistas, organizações de direitos humanos e as Nações Unidas a questionarem a legalidade das operações.
Paralelamente, os Estados Unidos reforçaram a sua presença militar no mar das Caraíbas desde agosto, sob o argumento do combate ao narcotráfico. Em outubro, foi enviado para a região o USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, com cerca de 5.000 militares a bordo e 75 aeronaves de combate, incluindo caças F-18, escoltado por cinco contratorpedeiros.
No final de outubro, o número de militares norte-americanos destacados no sul das Caraíbas e na base dos Estados Unidos em Porto Rico ascendia a cerca de 10.000, metade dos quais distribuídos por oito navios.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos — nova designação adotada pela Administração Trump para o responsável do antigo Departamento de Defesa —, Pete Hegseth, comparou nas redes sociais as operações contra os cartéis de droga às guerras conduzidas pelos Estados Unidos no Médio Oriente e no Afeganistão ao longo dos últimos 24 anos.
A Casa Branca acusa o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que o chefe de Estado venezuelano rejeita categoricamente. Maduro afirma que Washington procura derrubá-lo para se apropriar das reservas de petróleo do país.
A legalidade dos ataques norte-americanos em águas estrangeiras ou internacionais tem sido fortemente criticada. A organização Human Rights Watch (HRW) apelou aos parceiros dos Estados Unidos para que condenem os ataques “ilegais” contra embarcações de alegados traficantes de droga.
“O direito internacional só permite o uso intencional de força letal como último recurso, quando existe uma ameaça iminente à vida”, sublinhou, em outubro, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Em meados de novembro, os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, reunidos no Canadá, questionaram formalmente os Estados Unidos sobre a legalidade das operações. O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, manifestou preocupação com as ações militares na região, sublinhando que a França tem presença nas Caraíbas através dos seus territórios ultramarinos, onde vivem mais de um milhão de cidadãos franceses.
As declarações surgiram um dia depois de a CNN ter noticiado que o Reino Unido suspendeu a partilha de informações com os Estados Unidos nas Caraíbas, por receio de eventual responsabilização criminal associada aos ataques. A informação foi, no entanto, negada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
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