Prémio Sakharov
Metsola promete "pressão" até à libertação de todos os presos políticos
16 dez, 2025 - 13:33 • João Pedro Quesado, enviado especial a Estrasburgo
A presidente do Parlamento Europeu sublinhou a importância de uma “comunicação social livre e independente” para a democracia europeia, e garantiu que a mensagem vai passar por todos os canais diplomáticos "até à era dos ditadores finalmente acabar".
Roberta Metsola prometeu esta terça-feira que a União Europeia vai lutar pela libertação de todos os presos políticos. Na entrega do Prémio Sakharov pela liberdade de pensamento a dois jornalistas detidos na Geórgia e na Bielorrússia, a presidente do Parlamento Europeu sublinhou a importância da liberdade para a União Europeia.
“Este Parlamento está solidário com o Andrzej e a Mzia na sua luta. Pedimos a sua libertação imediata, em conjunto com todas as pessoas presas injustamente. A nossa determinação vai igualar a coragem dos injustamente presos e dos que ainda sofrem atrás das grades”, garantiu Roberta Metsola em Estrasburgo. “Vamos manter a pressão até todos serem livres. Não vamos esquecê-los, nunca os vamos abandonar. Até à era dos ditadores finalmente acabar. Até à Bielorrússia ser finalmente livre”.
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“A nossa democracia europeia é construída com liberdade de pensamento e expressão. Sabemos o valor destes princípios. E nunca vamos desistir deles”, sublinhou Metsola, afirmando que a existência de “uma comunicação social livre e independente é uma parte importante para colocar estes valores em prática”.
Antes da entrega do prémio no plenário do Parlamento Europeu, Roberta Metsola disse, em conferência de imprensa, que a mensagem pretendida com a atribuição do prémio vai ser “enviada por todos os canais”.
“Há um ano, atribuímos o Prémio Sakharov ao povo venezuelano. Os líderes da oposição receberam o Prémio Nobel da Paz. Essa é a força de um prémio como este”, frisou a responsável.
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O Prémio Sakharov 2025 foi entregue a dois jornalistas, que não puderam receber a distinção presencialmente por estarem presos. É o caso de Mzia Amaglobeli, da Geórgia, representada na cerimónia por Irma Dimitradze — que revelou à Renascença temer a morte da jornalista na prisão. E ainda de Andrzej Poczobut, da Bielorrússia, que foi representado pela filha.
“Há quase cinco anos que a minha família vive com silêncio, incerteza, e a ausência de alguém que amamos. E hoje quero expressar a minha profunda gratidão ao Parlamento Europeu por o recordar”, declarou Jana Poczobut. “A ausência do meu pai é algo com que aprendi a viver, mas nunca a aceitar. Não escolhemos este caminho, mas escolhemos, todos os dias, acreditar nele e acreditar que a verdade e a dignidade ainda importam”.
A filha do jornalista Andrzej Poczobut, condenado em 2021 a uma pena de oito anos numa colónia penal, agradeceu o prémio, apesar de não ser o suficiente para o libertar.
“Não pode mudar o passado, mas dá-nos algo extremamente precioso para o futuro: a crença que a justiça e a humanidade ainda têm um lugar neste mundo. A todos os que trabalham todos os dias para proteger a dignidade humana, para ajudar todos os que precisam, e dar esperança onde ela é mais necessária — obrigado”, desejando ainda “força” e “paz” a “todas as famílias que esperam por notícias dos que amam”.
O Prémio Sakharov, a principal distinção da União Europeia na área dos direitos humanos, tem o nome do físico e dissidente político soviético Andrei Sakharov. Atribuído desde 1988 a várias pessoas, grupos ou organizações que defendem os direitos humanos, o prémio inclui um valor de 50 mil euros.
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