Ouvir
  • Noticiário das 23h
  • 09 mai, 2026
A+ / A-

Guerra na Ucrânia

Von der Leyen: "Temos de decidir financiar a Ucrânia nos próximos dois anos neste Conselho Europeu"

17 dez, 2025 - 09:57 • João Pedro Quesado, enviado especial a Estrasburgo

A Bélgica levantou reservas à utilização dos ativos russos congelados para um empréstimo à Ucrânia, temendo retaliação da Rússia. Quatro outros países, incluindo a Itália, apoiam a Bélgica na tentativa de explorar formas alternativas de financiamento para a Ucrânia, como a emissão de dívida conjunta.

A+ / A-

Ursula von der Leyen reforçou, esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, a necessidade dos países da União Europeia aprovarem financiamento para a Ucrânia para os próximos dois anos, utilizando 90 mil milhões de euros de ativos russos imobilizados.

"Temos de decidir financiar a Ucrânia nos próximos dois anos neste Conselho Europeu", pediu a presidente da Comissão Europeia em Estrasburgo, no debate de preparação do Conselho Europeu que começa esta quinta-feira, em Bruxelas. "Esta procura pela defesa não é apenas sobre defesa, é sobre a nossa liberdade, a nossa prosperidade, a nossa independência, e não há ato mais importante de defesa europeia que apoiar a defesa da Ucrânia".

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

"Os próximos dias vão ser um passo crucial para o assegurar", continuou von der Leyen. "Cabe a nós decidir como financiamos a luta da Ucrânia. Conhecemos a urgência. É aguda. Todos a sentimos. Todos a vemos. Porque à medida que as negociações de paz se intensificam, também os ataques russos se intensificam".

Ursula von der Leyen repetiu, depois, a necessidade de a Europa utilizar 90 mil milhões de euros de ativos russos congelados para financiar a defesa ucraniana, cobrindo dois terços da necessidade de 137 mil milhões de euros projetada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2026 e 2027.

"Isto é sobre muito mais que números. É sobre fortalecer a capacidade da Ucrânia de assegurar uma paz real, uma que é justa, que é duradoura, uma que protege a Ucrânia e assim também protege a Europa", afirmou, acrescentando que também é preciso "aumentar o custo da guerra para a Rússia".

Sublinhando que o congelamento dos ativos russos vai ficar em vigor "até decidirmos em contrário, até à Rússia parar a guerra, e até à Rússia pagar as reparações devidas à Ucrânia pelos danos infligidos", von der Leyen voltou a argumentar que a medida serve para "fortalecer a capacidade da Ucrânia assegurar uma paz real".

A Bélgica levantou reservas à utilização dos ativos russos congelados para um empréstimo à Ucrânia, proposta lançada pela Comissão Europeia no início de dezembro. O país centro-europeu detém a maior parte dos 210 mil milhões de euros de ativos imobilizados, e aponta que há várias questões legais que não estão abrangidas pelas propostas da Comissão.

De acordo com o Politico, a Bélgica rejeitou ainda alterações feitas pela Comissão esta semana. Entre as alterações estariam garantias legais que dariam ao país acesso aos 210 mil milhões de euros se a Rússia processar o país ou retaliar de outra forma, e que a Ucrânia não teria acesso ao dinheiro até aos países da UE cobrirem pelo menos 50% do valor com garantias financeiras.

Quatro outros países — Itália, Malta, Bulgária e Chéquia — apoiam a Bélgica na tentativa de explorar formas alternativas de financiamento para a Ucrânia, como a emissão de dívida conjunta dos 27 Estados.

"Temos de nos recordar porque a independência é tão importante no mundo de hoje. É importante porque a independência tem que ver com a liberdade", frisou Ursula von der Leyen no discurso em Estrasburgo. "A liberdade de decidir e fazermos as nossas leis, a liberdade de agir como quisermos, de perseguir os nossos interesses e as nossas parcerias, a liberdade de votar em quem quisermos sem sermos pressionados ou sujeitos a uma torrente de informação manipulada, a liberdade de escolher a diversidade, de escolher a democracia".

"Mas, acima de tudo, é sobre a liberdade de vivermos da forma que queremos, e esse é o estilo de vida europeu", finalizou a presidente da Comissão.~

Os chefes de Estado e de Governos dos 27 países da União Europeia reúnem-se esta quinta e sexta-feira em Bruxelas. Na agenda, além do financiamento à Ucrânia e da defesa europeia, estão o novo quadro financeiro plurianual que define o orçamento da UE e dos seus vários programas e fundos, o alargamento da União, a situação "geo-económica", o Médio Oriente, e as migrações.

Ouvir
  • Noticiário das 23h
  • 09 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque