Venezuela
Tensões na Venezuela: “Tudo aponta para que resultem numa operação militar”, diz Manuel Poêjo Torres
18 dez, 2025 - 00:45 • Marisa Gonçalves
O Presidente dos Estados Unidos vai falar ao país, esta madrugada, e poderá revelar uma intervenção no país de Nicolás Maduro.
Donald Trump vai falar ao país durante a madrugada e Manuel Poêjo Torres considera “preocupantes” as declarações que estão a ser divulgadas do comentador ultraconservador norte-americano Tucker Carlson, que afirma que os congressistas foram informados que o Presidente norte-americano vai declarar guerra à Venezuela.
O comentador de assuntos internacionais da Renascença entende que essas declarações podem ter o objetivo de preparar o cenário de uma intervenção militar.
"Tudo aponta para que estas tensões resultem numa operação militar. Eu não lhe chamaria uma guerra, porque os Estados Unidos são a maior potência militar do mundo. A Venezuela não é o Vietname, embora tenha um exército entre 120 a 150 mil combatentes, mais as milícias, que são mais uns milhares e têm cerca de 200 carros de combate, para além de um sistema de defesa precário. Se os Estados Unidos quiserem fazer um golpe de Estado e quiserem promover a derrocada de um governo tirânico, têm todos os instrumentos de guerra e do ponto de vista político para o conseguir concretizar", declara.
O investigador também se refere à ocasião específica em que surge esta notícia, admitindo que poderá servir para desviar as atenções da política interna, numa altura em que estão prestes a ser divulgados novos detalhes sobre os ficheiros Epstein.
"Aparece numa semana em que os ficheiros Epstein, pelo menos os ficheiros não classificados, serão obrigados a sair para o público no dia 19 deste mês. Portanto, não me parece descabido que o início de uma operação militar, como uma manobra política, aconteça na mesma semana da libertação deste tipo de documentos e de ficheiros, o que pode influenciar a forma como os conservadores americanos veem o seu Presidente", aponta.
A acontecer, esta intervenção militar será “inusitada”, acrescenta o comentador da Renascença, mas lembra que surge no âmbito de uma agenda divulgada pelo Presidente norte-americano quanto ao combate ao narcotráfico, à imigração ilegal e à defesa da esfera de influência dos Estados Unidos, no mundo.
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