Amigos falam de génio perturbado. Cláudio Valente não contactava a família há duas décadas
19 dez, 2025 - 23:40 • Fábio Monteiro
Cláudio Neves Valente, suspeito de matar dois estudantes e um professor, deixou há décadas de dar notícias à família. Antigos colegas lembram um homem inteligente, mas com sinais de perturbação e comportamentos agressivos.
Cláudio Manuel Neves Valente, suspeito dos homicídios de dois estudantes da Universidade de Brown e do professor Nuno Loureiro do M.I.T., era visto pelos poucos que com ele conviveram de perto como um homem extremamente inteligente, mas com dificuldades em manter relações pessoais e sinais de instabilidade emocional.
A notícia é avançada pelo “New York Times” esta sexta-feira.
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Scott Watson, professor de Física na Universidade de Syracuse, foi o único amigo próximo que Cláudio Valente teve durante o tempo em que ambos frequentaram o programa de doutoramento em Física da Universidade de Brown.
Recorda um colega “brilhante”, que podia ser “amável e gentil”, mas também agressivo. “Tive de separar uma luta uma vez”, revelou.
Segundo Watson, o antigo colega queixava-se frequentemente da qualidade da comida no campus e dizia que as aulas eram demasiado fáceis. O comportamento oscilava entre a gentileza e o autoritarismo. A certa altura, referiu-se a um colega brasileiro como seu “escravo”, situação que causou tensão no grupo de estudantes.
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Também Luk Chong Yeung, antiga aluna do mesmo programa, recorda Cláudio Valente como alguém “um pouco mais afastado” dos restantes colegas, embora esse tipo de isolamento não fosse incomum num curso altamente competitivo.
Aparentemente, o suspeito terá regressado a Portugal em 2001, deixando um endereço de email num fórum de antigos estudantes da Brown. Na mensagem, escrita em português, escreveu: “O maior mentiroso é aquele que consegue mentir a si próprio. Esses existem por todo o lado, mas às vezes proliferam nos lugares mais inesperados.”
O distanciamento não se limitou ao meio académico. Segundo a familiar Mirita Domingues, Valente cortou relações com os pais pouco depois de se mudar para os Estados Unidos e nunca mais deu notícias.
A família só soube do seu paradeiro ao ver o rosto nas notícias. “A mãe sempre teve medo de que a próxima vez que ouvisse falar dele fosse para saber que estava morto”, contou.
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