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Manuel Poêjo Torres

Europa "não irá aceitar falso acordo de não agressão"

23 dez, 2025 - 12:11 • Hugo Monteiro

O comentador da Renascença para assuntos internacionais, Manuel Poêjo Torres, diz que, historicamente e politicamente, a informação de que a Rússia "está preparada para assinar um acordo de não agressão" com a União Europeia e com a NATO, "é sinal de que vai olhar para a Europa como um alvo" e "não como um parceiro".

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O especialista em assuntos internacionais da Renascença, Manuel Poêjo Torres, diz que "a União Europeia, os países do Báltico e a Polónia conhecem bem as lições da História e não vão cair no engano, nem vão permitir que a História se repita", pelo que, acredita, não irão valorizar nem aceitar a disponibilidade da Rússia de assinar um acordo de não agressão com a União Europeia e a NATO. Posição expressa pelo vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, uma altura em que o Ocidente tem alertado para o risco de uma escalada da guerra.

Manuel Poêjo Torres diz-se convencido de que estes países "não irão aceitar um falso acordo", quando "historicamente se sabe que os acordos de não agressão assinados com a Rússia são sempre seguidos de uma agressão militar". O professor universitário acrescenta que "este indicativo de que a Rússia está preparada para assinar um acordo de não agressão é sinal de que vai olhar para a Europa como um alvo" e "não como um parceiro".

O comentador de assuntos internacionais da Renascença diz que a estratégia da Rússia "é conhecida", porque "há mais de um século que o comportamento político é o mesmo". Poêjo Torres explica que essa estratégia passa por "tentar mostrar que o agressor não é um agressor, mas que é um fazedor da paz, e tentar virar o cenário, invertendo a tendência de agressão, querendo estar disponível para assinar um acordo de não agressão, mostrando-se politicamente preparado para isso".

O professor universitário dá vários exemplos ao longo da história em que a Rússia ou a União Soviética assinaram acordos deste tipo, mas que acabaram por resultar numa agressão ou, até, na invasão de um outro país. Entre eles, "o mais conhecido", que diz respeito "àquilo que foi o memorando de Budapeste, assinado em 1994, entre a Ucrânia e a Rússia". "Não era um acordo de não-agressão, mas era uma forma de proteger os interesses da Rússia, ao fazer uma transferência de armamento nuclear da Ucrânia, sob proteção política de que a Federação Russa não invadiria território ucraniano". Poêjo Torres lembra que este acordo "resultou, em 2014, na tomada da Crimeia e, em 2022, na invasão territorial da Ucrânia".

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