Ouvir
  • Noticiário das 4h
  • 17 mai, 2026
A+ / A-

Venezuela

Maduro responde a Trump e acusa EUA de “pirataria” nas Caraíbas

23 dez, 2025 - 09:00 • Redação

O presidente venezuelano critica a “fixação” de Donald Trump com a Venezuela e alerta para o impacto global do bloqueio norte-americano a petroleiros com petróleo venezuelano.

A+ / A-

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, respondeu esta segunda-feira às declarações de Donald Trump, acusando os Estados Unidos de promoverem atos de “pirataria estatal” nas Caraíbas e alertando que o bloqueio a petroleiros venezuelanos pode provocar instabilidade na economia mundial.

Em declarações transmitidas pela televisão estatal, Maduro afirmou que o presidente norte-americano “estaria melhor” se se concentrasse nos problemas internos dos Estados Unidos, acusando-o de dedicar uma parte excessiva do seu discurso político à Venezuela. “Não é possível que grande parte das suas declarações sejam sobre a Venezuela. E os Estados Unidos?”, questionou.

As palavras do chefe de Estado venezuelano surgem num momento de agravamento da tensão bilateral, depois de Washington ter apreendido dois petroleiros que transportavam crude venezuelano nas Caraíbas, no âmbito de um reforço do destacamento militar ordenado por Donald Trump. Os Estados Unidos justificam a operação como parte do combate ao narcotráfico, enquanto Caracas a interpreta como uma tentativa de asfixia económica e de derrube do regime.

Washington tem, entretanto, endurecido também o discurso político. A secretária da Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, afirmou que Nicolás Maduro “tem de sair”, acusando o Governo venezuelano de usar as receitas do petróleo para financiar atividades ilegais, incluindo o tráfico de droga. Segundo a responsável norte-americana, a interceção de navios visa igualmente “enviar uma mensagem ao mundo” de que essas práticas não serão toleradas. Donald Trump voltou a endurecer o tom, afirmando que a atitude mais “inteligente” de Maduro seria renunciar, deixando uma ameaça velada caso o líder venezuelano decida “bancar o durão”.

Do lado venezuelano, o bloqueio é classificado como um ato de “pirataria estatal”. Em Caracas, dezenas de motociclistas desfilaram vestidos de piratas em protesto contra as apreensões, exibindo faixas com mensagens como “no war, yes peace” e imagens de Donald Trump caracterizado como corsário. Para alguns manifestantes, os Estados Unidos “estão a invadir e a levar o que é nosso”, embora garantam que a Venezuela mantém uma “vocação de paz”.

Numa carta dirigida a países da América Latina e do Caribe, lida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil, Maduro alertou que o bloqueio “afetará o fornecimento de energia” e poderá “aumentar a instabilidade dos mercados internacionais”. Segundo o governo venezuelano, os navios apreendidos transportavam cerca de quatro milhões de barris de petróleo.

“A energia não pode ser convertida numa arma de guerra nem num instrumento de coerção política”, defendeu o chefe de Estado venezuelano, que pediu a ativação de mecanismos das Nações Unidas para travar aquilo que classifica como uma “escalada de agressões de extrema gravidade”.

O agravamento da crise já tem reflexos nos mercados: dados citados por agências internacionais indicam uma redução significativa no carregamento de petroleiros na Venezuela, enquanto os preços do petróleo Brent e WTI registaram subidas superiores a 2%.

Apesar de reafirmar a “vocação de paz” da Venezuela, o presidente garantiu que o país está preparado para defender a sua soberania, sublinhando que irá recorrer a instâncias internacionais, incluindo as Nações Unidas, para denunciar aquilo que considera uma violação do direito internacional.

Ouvir
  • Noticiário das 4h
  • 17 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque