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"Vai de mal a pior". Oposição na Guiné-Bissau agenda marcha contra golpe de Estado

29 dez, 2025 - 17:10 • Cristina Nascimento com Lusa

A partir de Lisboa, a candidatura de Fernando Dias da Costa, que reclama vitória nas presidenciais de novembro, rejeita acusações de campanha financiada pelo tráfico de drogas. Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) pede mais intervenção da comunidade internacional.

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Está marcada para o último dia do ano uma marcha nacional na Guiné-Bissau contra o golpe de estado ocorrido no país, no fim de novembro.

A organização da iniciativa está a cargo da candidatura de Fernando Dias da Costa, que reclama vitória nas eleições presidenciais de 23 de novembro.

“O pais vai de mal a pior”, disse aos jornalistas, em Lisboa, Ianai Sani, representante do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), partido que deu apoio a Dias da Costa.

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Já Mariano Quadé, representante desta candidatura, garante que não aceitarão que “a mentira, o medo e a insinuação criminosa substituam o debate político sério".

Em causa está a acusação de que esta candidatura teria sido financiada por organizações ligadas ao narcotráfico.

“Esta é uma acusação falsa, irresponsável e feita sem qualquer prova. A campanha do Dr. Fernando Dias da Costa foi financiada de forma lícita, transparente e de acordo com a lei. Quem afirma o contrário tem a obrigação de apresentar provas concretas. Até hoje nenhum foi apresentada”, assegura Quadé, na Casa do Alentejo.

Nesta conferência de imprensa, o representante do PAIGC, Iafai Sani, exigiu o regresso dos militares aos quartéis e apelou à intervenção da comunidade internacional.

“Precisamos de muito apoio da comunidade internacional porque, nesta aldeia global, estamos todos juntos e ninguém pode trabalhar isoladamente”, disse.

Sani aludiu ainda ao trabalho que está a ser feito ao nível Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), mostrando-se otimista que poderão existir avanços no próximo mês.

Em janeiro, talvez vejamos a luz ao fundo do túnel e que o povo guineense se reencontre consigo mesmo”, expressou.

Já sobre o caso do homem considerado próximo do antigo presidente da Guiné-Bissau que, recentemente, aterrou em Lisboa na posse de cinco milhões de euros, Sani acusa o Governo guineense de incompetência.

“Se tivéssemos um governo responsável, exigiria a devolução do montante e criaria uma comissão que apurasse responsabilidades às pessoas que estão a fazer contrabando de dinheiro”, declarou.

Resposta aos militares que protagonizaram golpe de Estado

Esta conferência de imprensa, em Lisboa, é uma resposta às afirmações do chefe do Alto Comando Militar que, a 19 de dezembro, expressou que "as eleições não são solução para a Guiné-Bissau enquanto não falarmos a verdade uns aos outros" e que as Forças Armadas "não vão entregar o país a nenhum bandido ou vendedor de droga".

Em 26 de novembro, um dia antes do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas na Guiné-Bissau, os militares depuseram o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, no poder desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral em curso.

O candidato da oposição Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória, refugiou-se na embaixada da Nigéria, que lhe concedeu asilo.

Já o líder da oposição, Domingos Simões Pereira, foi detido no dia do golpe, juntamente com outros opositores.

Na noite de 23 de dezembro, seis pessoas próximas de Simões Pereira, líder do histórico PAIGC, foram libertadas. Já Simões Pereira continua detido.

Inicialmente detido pelos militares na altura do golpe, o Presidente abandonou o país.

A junta nomeou o general Horta Inta-A, um aliado próximo de Umaro Sissoco Embaló, Presidente de um Governo de transição com a duração máxima prevista de um ano.

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