Cancelados concertos de fim ano no Kennedy Center em protesto pela mudança de nome
30 dez, 2025 - 19:19 • Lusa
O grupo de jazz The Cookers cancelou os concertos de fim de ano no Kennedy Center, em Washington DC, em protesto contra a mudança de nome da instituição. O septeto junta-se a outros artistas que abandonaram a programação.
O septeto de jazz The Cookers, que ia protagonizar os concertos de fim de ano do Kennedy Center, em Washington DC, cancelou as suas atuações devido à mudança de nome da instituição, que passou a incluir a designação Trump.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.
Numa declaração publicada na página de abertura do seu site, o grupo, que inclui músicos-chave na história do jazz como Eddie Henderson, Cecil McBee, George Cables e Billy Hart, justificou o cancelamento com um apelo à liberdade artística.
"O jazz nasceu da luta e de uma insistência implacável pela liberdade: liberdade de pensamento, de expressão e da voz humana plena. Alguns de nós já fazem esta música há muitas décadas, e esta história ainda nos molda."
Os músicos garantem que não estão a abandonar o seu público:
"Queremos garantir que, quando regressarmos ao palco [do Kennedy Center], o local poderá celebrar plenamente a presença da música e de todos os que a vivem."
O grupo The Cookers é a mais recente desistência da programação do Kennedy Center, que tem registado uma vaga de cancelamentos desde que foi renomeado Trump-Kennedy Center, pelo conselho de administração, composto por elementos próximos do atual presidente.
O tradicional concerto de Natal, com mais de 20 anos, também foi cancelado após o nome de Donald Trump ter sido adicionado ao edifício, a 19 de dezembro.
O diretor do espetáculo, o músico Chuck Redd, afirmou na altura à Associated Press que cancelou a atuação quando viu "a mudança de nome no site do Kennedy Center e no edifício".
A companhia Doug Varone and Dancers, com espetáculos agendados para abril, também anunciou a sua decisão na segunda-feira, através do Instagram:
"Após a recente decisão de Donald Trump de renomear o local em sua homenagem, não nos podemos permitir, nem pedir ao nosso público que vá a esta instituição outrora prestigiada."
A cantora folk Kristy Lee cancelou igualmente o seu concerto de janeiro:
"Quando a história americana começa a ser tratada como algo que pode ser banido, apagado, renomeado ou reformulado para alimentar o ego de alguém, não consigo subir àquele palco e dormir em paz."
A nova administração do centro também cancelou espetáculos e eventos que celebravam a comunidade LGBT+, organizou conferências da direita religiosa e convidou artistas que promovem a sua fé cristã nos espetáculos.
Segundo a imprensa norte-americana, a venda de bilhetes do Kennedy Center atingiu os piores níveis desde a pandemia, com a chegada da nova administração.
O Washington Post noticiou que, desde setembro, pelo menos 43% dos bilhetes ficaram por vender, nas várias salas do Kennedy Center — Concert Hall, Opera House e Eisenhower Theater —, quando anteriormente a taxa de ocupação ultrapassava os 93%.
O atual presidente do Kennedy Center, Richard Grenell, considerou os cancelamentos um "boicote", afirmando que "esses artistas foram contratados pela antiga direção de extrema-esquerda".
Numa carta citada pelo Washington Post, Grenell declarou que "as artes são para todos, e a esquerda está furiosa com isso". Acrescentou ainda ter ameaçado Chuck Redd com um processo judicial e o pedido de uma indemnização de um milhão de dólares (cerca de 910 mil euros) pelo cancelamento do concerto de Natal.
O presidente John F. Kennedy foi assassinado em 1963, tendo o Congresso aprovado no ano seguinte a criação do Kennedy Center for the Performing Arts em sua memória.
A família Kennedy e a oposição democrata denunciaram a alteração do nome. Kerry Kennedy prometeu remover o nome de Trump do edifício assim que ele deixar o cargo, e o historiador Ray Smock recordou que qualquer alteração à designação do centro tem de ser aprovada pelo Congresso.
A legislação em vigor proíbe explicitamente o conselho de administração do Kennedy Center de o transformar num memorial a qualquer outra pessoa e de adotar outro nome visível no exterior do edifício.
- Noticiário das 22h
- 17 mai, 2026







