Ouvir
  • Noticiário das 19h
  • 06 fev, 2026
A+ / A-

MSF denuncia tentativa de Israel de bloquear ajuda humanitária em Gaza e na Cisjordânia

02 jan, 2026 - 13:52 • Olímpia Mairos

ONG alerta que restrições impostas por Israel colocam em risco cuidados médicos vitais e violam o direito internacional humanitário.

A+ / A-

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou, esta sexta-feira, o que classifica como uma tentativa “cínica e calculada” de Israel de impedir a atuação de organizações não governamentais internacionais nos Territórios Palestinianos Ocupados.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Segundo a MSF, a ameaça israelita de recusar o registo da organização — bem como de outras INGOs — compromete gravemente a prestação de cuidados médicos essenciais em Faixa de Gaza e na Cisjordânia, constituindo uma violação das obrigações de Israel ao abrigo do direito internacional humanitário.

Em comunicado, a MSF afirma que negar assistência médica a civis é “inaceitável em qualquer circunstância” e considera “chocante” o uso da ajuda humanitária como instrumento político ou de punição coletiva. A organização alerta que Israel está a intensificar um ataque direto à resposta humanitária, colocando em risco imediato os cuidados de saúde e a sobrevivência da população civil.

A MSF rejeita de forma categórica as acusações recentes feitas por autoridades israelitas, que alegam que a organização empregaria pessoas envolvidas em atividades militares. “Nunca empregaríamos conscientemente alguém ligado a ações militares. Isso contraria os nossos valores e a nossa ética fundamentais”, sublinha a organização.

De acordo com a MSF, as descrições feitas pelas suas equipas no terreno — marcadas por morte, destruição e sofrimento humano em larga escala — refletem a realidade vivida pela população de Gaza. “Se essas descrições são incómodas para alguns, a responsabilidade é de quem comete as atrocidades, não de quem as denuncia”, afirma a MSF, em comunicado.

A organização expressa ainda sérias preocupações quanto à exigência de registo que obriga à partilha de dados pessoais dos seus funcionários palestinianos com as autoridades israelitas. Essas preocupações são agravadas pelo facto de 15 profissionais da MSF terem sido mortos por forças israelitas desde o início do conflito.

Para a ONG, exigir listas de funcionários como condição para acesso ao território, num contexto em que trabalhadores médicos e humanitários têm sido intimidados, detidos arbitrariamente e mortos, constitui “um abuso ultrajante” que compromete a independência e a neutralidade humanitárias.

Segundo a MSF, não há qualquer clareza sobre como esses dados sensíveis seriam utilizados, armazenados ou partilhados. Apesar disso, a organização afirma que o ministério israelita responsável pelo processo de registo ignorou repetidos pedidos de diálogo e optou por lançar acusações nos meios de comunicação social.

A MSF denuncia ainda que as forças israelitas mataram e feriram centenas de milhares de civis, destruíram deliberadamente infraestruturas essenciais e atacaram profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e jornalistas. Atualmente, mais de metade da Faixa de Gaza encontra-se sob controlo israelita, com a população forçada a viver em áreas cada vez mais reduzidas, em condições descritas como desumanas.

No terreno, a MSF apoia um em cada cinco leitos hospitalares em Gaza e presta assistência a uma em cada três mulheres durante o parto. Embora reconheça que este apoio é insuficiente face às necessidades, a organização alerta que a sua retirada teria “um custo humano devastador”, sobretudo depois da destruição sistemática do sistema de saúde local.

A crise humanitária agrava-se ainda mais com as condições climáticas. Pelo terceiro inverno consecutivo, Gaza enfrenta baixas temperaturas, chuvas intensas e ventos fortes, que destruíram abrigos improvisados e inundaram zonas onde vivem milhares de deslocados. Ao mesmo tempo, Israel continua a bloquear a entrada de bens essenciais como tendas, lonas e habitações temporárias.

Para a MSF, impedir a atuação da organização e de dezenas de outras ONG representa uma escalada dos ataques contra a população palestiniana. “Permitir a ajuda humanitária não é um favor, é uma obrigação legal”, reforça a organização, sublinhando que, hoje mais do que nunca, os palestinianos precisam de mais serviços de saúde e assistência, e não menos.

Ouvir
  • Noticiário das 19h
  • 06 fev, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+