Ataque à Venezuela
Detenção de Maduro na Venezuela: uma repetição da captura de Noriega no Panamá?
05 jan, 2026 - 23:57 • Catarina Magalhães
Exatamente 36 anos depois das forças norte-americanas terem detido o antigo Presidente do Panamá, Donald Trump anunciou a captura de Maduro e da mulher, na madrugada deste sábado, em Caracas.
A detenção do Presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, pode parecer um déjà-vu na história política da América Latina.
Exatamente 36 anos depois das forças norte-americanas terem detido o Presidente do Panamá, Manuel Noriega, o Presidente Donald Trump anunciou a captura de Maduro e da mulher, Cilia Flores, na madrugada deste sábado, em Caracas.
Noriega foi detido em 1989 na "Operação Causa Justa" e, mais tarde, condenado por tráfico de droga pelas autoridades dos Estados Unidos da América (EUA).
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O líder latino-americano foi extraditado para os EUA pela administração do então Presidente George W. Bush. Por lá, foi acusado de lavagem de dinheiro e narcotráfico, para além de ligações com o Cartel de Medellín, de Pablo Escobar.
Ou seja, tal como Maduro na "Operação Determinação Total", o antigo Presidente do Panamá foi acusado de transformar o seu país numa rota estratégica do narcotráfico internacional.
Estados Unidos
Maduro declara-se inocente perante um tribunal de Nova Iorque
"Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decen(...)
Apesar de ter sido um intermediário e aliado dos serviços de segurança e política externa norte-americana com a América do Sul, Noriega começou a exigir independência e, enquanto isso, aceitava subornos para permitir a entrada de drogas nos EUA.
Em abril de 1992, Manuel Noriega foi condenado a 40 anos de prisão e tornou-se o primeiro chefe de Estado estrangeiro condenado num tribunal dos EUA.
Por sua vez, Nicolás Maduro apresentou-se esta segunda-feira ao tribunal federal de Manhattan, em Nova Iorque, por ser acusado de orquestrar uma rede de tráfico de cocaína, o Cartel de los Soles, e de se associar a gangues violentos.
Vestido com roupa de prisão e pés algemados, Maduro e a sua mulher declararam-se inocentes. "Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente. Ainda sou o Presidente do meu país", declarou o antigo líder venezuelano.
Diferentes líderes, diferentes tempos, diferentes detenções
A captura de Maduro reacendeu a controvérsia sobre a atuação de Washington contra lideres latino-americanos.
No Panamá, o envio de mais de 25 mil soldados hasteou a bandeira das intenções da Casa Branca. Tropas e helicópteros de guerra invadiram o país centro-americano para depor Noriega e o antigo líder conseguiu até refugiar-se na Nunciatura Apostólica do Vaticano, mesmo no centro da cidade.
Depois de destruírem o jato privado de Manuel Noriega, incendiar um campo próximo e alinhar uma fileira de veículos blindados apontados à embaixada católica, os EUA decidiram então recorrer a táticas psicológicas para forçar a saída.
No exterior do edifício do Vaticano, as forças militares norte-americanas construíram uma parede de altifalantes e começaram a emitir sons de galinhas e música heavy metal. Temas de Guns N' Roses, The Clash, U2 e The Doors eram tocados 24 horas por dia.
Após 10 dias, Noriega rendeu-se.
Já no caso da Venezuela, os EUA estavam desde agosto a investir em ataques aéreos contra embarcações para combater alegadas redes de narcotráfico, provocando mais de uma centena de mortos.
Na madrugada deste sábado, o mundo despertou com a notícia da captura de Maduro e da mulher, e com as imagens dos bombardeamentos, ataques de drones e aeronaves a voarem a baixa altitude em toda a capital venezuelana.
O ataque durou cerca de uma hora e Maduro e a mulher foram capturados quando estavam a dormir no Forte Tuiuí, o maior complexo militar venezuelano, pela força Delta do Exército norte-americano, a principal unidade de contraterrorismo das forças armadas dos EUA.
Contudo, os próximos capítulos da Venezuela são incertos.
"Um dia histórico": EUA comparam Venezuela e Panamá
O representante norte-americano da Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, comparou a operação na Venezuela com a do Panamá, considerando-as semelhantes.
"Não estamos a ocupar um país. Esta foi uma operação para garantir o cumprimento da lei, que era sistematicamente violada há décadas", afirmou, acrescentando que, na sua visão, os Estados Unidos "prenderam um narcotraficante que vai agora a julgamento, de acordo com as regras do direito".
Para além de Waltz, o presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Rick Crawford, também comentou nas suas redes sociais sobre a ligação das datas de captura.
“Este é um dia histórico no Hemisfério Ocidental, 36 anos após a captura de Manuel Noriega, quando os EUA mostraram que não permitirão que cartéis tomem conta de países na nossa vizinhança comum. A detenção do líder do Cartel dos Sóis, Nicolás Maduro, demonstra isso claramente.”
Crawford disse ainda que a Venezuela só regressa ao caminho de ser "uma grande nação apenas quando Maduro for afastado".
Em dezembro de 2011, Noriega foi extraditado de Paris, onde cumpriu parte da pena, para o Panamá. Porém, o líder deposto era procurado no país pela morte de um adversário político durante o período em que esteve no poder.
Manuel Noriega morreu em 2017, aos 83 anos, após uma série de problemas saúde.
Explicador Renascença
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