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Venezuela. Presidente interina oferece cooperação aos EUA

05 jan, 2026 - 08:10 • Reuters

Presidente interino emite declaração nas redes sociais em tom mais conciliatório enquanto Trump pondera novas ações militares caso a Venezuela não coopere.

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A Presidente interina da Venezuela ofereceu-se esta segunda-feira para colaborar com os Estados Unidos da América numa agenda focada no "desenvolvimento partilhado", adotando um tom conciliatório pela primeira vez desde que as forças norte-americanas detiveram o presidente do país rico em petróleo, Nicolás Maduro.

Num comunicado publicado nas redes sociais, a Presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o seu governo está a dar prioridade à construção de relações de respeito com os EUA, depois de ter criticado a operação de sábado como uma apropriação ilegal dos recursos naturais do país.

"Convidamos o governo dos EUA a colaborar connosco numa agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento partilhado, dentro da estrutura do direito internacional, para fortalecer a convivência comunitária duradoura", disse Rodríguez. "O presidente Donald Trump, os nossos povos e a nossa região merecem paz e diálogo, não guerra".

Rodriguez, que também desempenha as funções de ministra do Petróleo, é considerada há muito tempo a membro mais pragmática do círculo próximo de Maduro, e Trump tinha declarado que ela estava disposta a trabalhar com os EUA.

Publicamente, no entanto, ela e outros funcionários classificaram as detenções de Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, como um rapto e afirmaram que Maduro continua a ser o líder legítimo da nação.

Trump declarou aos jornalistas, no domingo, que poderia ordenar outro ataque caso a Venezuela não coopere com os esforços dos EUA para abrir a sua indústria petrolífera e combater o narcotráfico.

Trump ameaçou ainda com ações militares na Colômbia e no México e disse que o regime comunista de Cuba "parece estar prestes a cair" por si só. As embaixadas da Colômbia e do México em Washington não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Maduro em tribunal nos EUA esta segunda-feira

A declaração de Rodríguez aconteceu na véspera da comparência de Maduro, marcada para segunda-feira, perante um juiz federal em Nova Iorque.

As autoridades da administração Trump descreveram a detenção como uma ação policial para responsabilizar Maduro pelas acusações criminais apresentadas em 2020, que o acusam de conspiração para narcoterrorismo.

Mas Trump afirmou também que outros fatores estavam em causa, dizendo que a operação foi motivada, em parte, pela chegada de imigrantes venezuelanos aos Estados Unidos e pela decisão do país de nacionalizar os interesses petrolíferos americanos há décadas.

"Estamos a recuperar o que eles roubaram", disse a bordo do Air Force One, ao regressar a Washington, vindo da Florida, no domingo. "Nós é que estamos no comando."

As companhias petrolíferas regressarão à Venezuela e reconstruirão a indústria petrolífera do país, disse Trump. "Vão gastar milhares de milhões de dólares e vão extrair o petróleo do solo", afirmou.

Os preços globais do petróleo subiram ligeiramente num mercado instável, enquanto os investidores avaliavam as implicações da ação militar dos EUA na Venezuela, e as bolsas asiáticas registaram uma subida. MKTS/GLOB

Maduro, de 63 anos, enfrenta acusações de prestar apoio a importantes grupos de tráfico de droga, como o Cartel de Sinaloa e o gangue Tren de Aragua.

Os procuradores afirmam que dirigia rotas de tráfico de cocaína, utilizava as forças armadas para proteger carregamentos, abrigava grupos violentos de tráfico de droga e utilizava instalações presidenciais para movimentar drogas. As acusações, inicialmente apresentadas em 2020, foram atualizadas no sábado para incluir a sua mulher, Cilia Flores, que também foi capturada pelas forças norte-americanas e é acusada de ordenar raptos e assassinatos.

Maduro nega as acusações e o seu julgamento pode demorar vários meses.

Operação norte-americana gera críticas e questões sobre a legalidade da captura de Maduro

Os EUA consideram Maduro um ditador ilegítimo desde que declarou vitória nas eleições de 2018, marcadas por alegações de irregularidades em grande escala. Trump rejeitou, no entanto, a possibilidade de a líder da oposição e vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, assumir o poder, alegando que não tem apoio suficiente.

Machado foi impedida de concorrer às eleições de 2024, mas afirmou que o seu aliado, Edmundo González, tem mandato para assumir a presidência, e alguns observadores internacionais afirmam que venceu a votação com uma larga maioria.

Embora Maduro tenha poucos aliados no panorama internacional, muitos países questionaram a legalidade da detenção de um chefe de Estado estrangeiro e instaram os EUA a respeitar o direito internacional.

O Conselho de Segurança da ONU planeia reunir-se na segunda-feira para discutir a operação americana, que o Secretário-Geral António Guterres descreveu como um precedente perigoso.

A China reiterou as suas críticas às ações dos EUA, afirmando que violam o direito internacional e que Washington deveria libertar Maduro e a sua mulher.

O ataque também gerou interrogações em Washington, onde os democratas da oposição afirmam ter sido enganados pelo governo sobre a sua política para a Venezuela. O secretário de Estado, Marco Rubio, deveria reunir-se com os principais deputados no Capitólio ainda esta segunda-feira.

Outrora uma das nações mais prósperas da América Latina, a economia da Venezuela entrou em colapso nos últimos 20 anos, levando cerca de um em cada cinco venezuelanos a emigrar, num dos maiores êxodos do mundo.

A destituição de Maduro, um antigo motorista de autocarros que governou a Venezuela durante mais de 12 anos após a morte do ditador Hugo Chávez, pode levar a uma instabilidade ainda maior no país de 28 milhões de habitantes.

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  • Chá
    05 jan, 2026 de Realidade 15:51
    A Delcy percebeu de que lado estava a Força, e não quer ir fazer companhia ao Maduro...
  • Chá
    05 jan, 2026 de Realidade 15:51
    A Delcy percebeu de que lado estava a Força, e não quer ir fazer companhia ao Maduro...

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