EUA
Trump assume que EUA podem supervisionar Venezuela por vários anos
08 jan, 2026 - 12:47 • Reuters
Numa entrevista ao New York Times, Trump respondeu que “só o tempo dirá” quanto tempo os Estados Unidos irão supervisionar a Venezuela.
Os Estados Unidos poderão supervisionar a Venezuela e controlar as suas receitas petrolíferas durante anos, afirmou o Presidente Donald Trump numa entrevista publicada esta quinta-feira pelo jornal The New York Times.
Numa entrevista de duas horas, descrita pelo New York Times como abrangente, o jornal disse que Trump pareceu também recuar na ameaça de recorrer a ação militar contra a Colômbia, país vizinho da Venezuela. Trump convidou o líder de esquerda da Colômbia, a quem anteriormente chamara “um homem doente”, a visitar Washington.
Sobre a Venezuela, respondeu que “só o tempo dirá” quanto tempo os Estados Unidos irão supervisionar o país. Questionado pelo jornal se seriam três meses, seis meses, um ano ou mais, Trump respondeu: “Diria que muito mais.”
“Vamos reconstruí-la de uma forma muito rentável”, disse Trump sobre o país para o qual enviou tropas para capturar o Presidente Nicolás Maduro numa operação noturna a 3 de Janeiro. “Vamos usar petróleo e vamos ficar com petróleo. Estamos a baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, de que eles precisam desesperadamente.”
Trump acrescentou que os EUA estavam a “dar-se muito bem” com o governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, uma aliada de longa data de Maduro que tinha sido vice-presidente do líder capturado pelos norte-americanos.
“Marco fala com Delcy Rodríguez o tempo todo"
O NYT escreve que Trump se recusou a responder a perguntas sobre a razão pela qual decidiu não entregar o poder na Venezuela à oposição, que Washington tinha anteriormente considerado a legítima vencedora das eleições de 2024.
Na terça-feira, Trump apresentou um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que tinham ficado retidos no país devido ao bloqueio dos EUA. “Eles estão a dar-nos tudo o que consideramos necessário”, disse, referindo-se ao governo venezuelano.
Trump recusou comentar quando questionado se tinha falado pessoalmente com Rodríguez.
“Mas o Marco fala com ela o tempo todo”, disse, referindo-se ao secretário de Estado Marco Rubio. “Posso dizer-lhe que estamos em comunicação constante com ela e com a administração.”
Trump e Petro ao telefone: ameaça à Colômbia dissipa-se
Segundo o NYT, os seus repórteres foram autorizados a assistir a uma chamada telefónica entre Trump e o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, desde que o conteúdo não fosse divulgado.
Numa publicação nas redes sociais, Trump afirmou: “Foi uma grande honra falar com o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que ligou para explicar a situação das drogas e outras divergências que temos tido. Apreciei a sua chamada e o tom, e espero encontrá-lo num futuro próximo.”
Petro descreveu a chamada — a sua primeira com Trump — como cordial.
No domingo, Trump tinha ameaçado levar a cabo uma ação militar contra a Colômbia, classificando Petro como “um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e não vai continuar a fazê-lo por muito tempo”.
A chamada entre Trump e Petro durou cerca de uma hora e, segundo o jornal, “pareceu dissipar qualquer ameaça imediata de ação militar dos EUA”.
O recurso à força por parte de Trump na Venezuela deixou alguns membros do seu próprio Partido Republicano apreensivos, depois de durante muito tempo ter criticado intervenções militares dos EUA no estrangeiro. O Senado deverá apreciar esta quinta-feira uma resolução para impedir Trump de tomar novas medidas sem autorização do Congresso.
Os republicanos, que controlam o Senado com 53 lugares, derrotaram várias iniciativas deste tipo desde que Trump iniciou a ação militar em torno da Venezuela no final do ano passado, mas a última votação, em novembro, foi renhida (49-51), após dois republicanos a terem apoiado. O senador Rand Paul, republicano do Kentucky e co-patrocinador da resolução, disse ter falado com pelo menos dois outros republicanos que agora estão “a ponderar”.
Reunião planeada com petrolíferas
Trump afirmou ainda, na entrevista, que os Estados Unidos tencionam “gerir” a Venezuela. Funcionários norte-americanos indicaram que, por agora, o plano passa por exercer influência sem uma ocupação militar.
A Venezuela, detentora das maiores reservas provadas de petróleo do mundo, empobreceu nas últimas décadas, com oito milhões de pessoas a fugirem para o estrangeiro numa das maiores crises migratórias globais.
Washington e a oposição venezuelana têm há muito atribuído a situação à corrupção, má gestão e brutalidade do partido no poder. Maduro culpou as sanções dos EUA pelos danos económicos.
Vários altos responsáveis norte-americanos defenderam na quarta-feira que os Estados Unidos precisam de controlar indefinidamente as vendas e as receitas do petróleo venezuelano para restaurar a indústria petrolífera do país e reconstruir a economia.
Trump deverá reunir-se na sexta-feira, na Casa Branca, com os presidentes de grandes empresas petrolíferas para discutir formas de aumentar a produção de petróleo da Venezuela. Representantes das três maiores petrolíferas dos EUA — Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron (XOM.N, COP.N, CVX.N) — deverão estar presentes, segundo uma fonte familiarizada com o planeamento.
As empresas, todas com experiência na Venezuela, recusaram comentar.
- Noticiário das 3h
- 17 jul, 2026







