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Trump pondera pagar para influenciar habitantes da Gronelândia a juntarem-se aos EUA

08 jan, 2026 - 17:50 • Reuters

Embora o valor exato e a logística de qualquer pagamento não sejam claros, os responsáveis norte-americanos, incluindo os conselheiros da Casa Branca, discutiram valores que variam entre 8500 e 85 mil euros.

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As autoridades norte-americanas discutiram o envio de pagamentos únicos aos habitantes da Gronelândia como parte de uma tentativa de os convencer a separar-se da Dinamarca e a juntar-se potencialmente aos Estados Unidos, segundo quatro fontes familiarizadas com o assunto citadas pela agência Reuters, esta quinta-feira.

Embora o valor exato e a logística de qualquer pagamento não sejam claros, os responsáveis norte-americanos, incluindo os conselheiros da Casa Branca, discutiram valores que variam entre 10 mil e 100 mil dólares por pessoa (entre 8500 e 85 mil euros), disseram duas das fontes, que pediram anonimato para discutir deliberações internas.

A ideia de pagar diretamente aos residentes da Gronelândia, um território ultramarino da Dinamarca, oferece uma explicação de como os EUA poderiam tentar "comprar" a ilha de 57 mil habitantes, apesar da insistência das autoridades em Copenhaga e Nuuk de que a Gronelândia não está à venda.

Esta tática está entre os vários planos que estão a ser discutidos pela Casa Branca para a aquisição da Gronelândia, incluindo a possível utilização das forças armadas americanas. Mas corre o risco de parecer excessivamente transacional e até degradante para uma população que há muito debate a sua própria independência e a sua dependência económica da Dinamarca. "Basta! Basta de fantasias sobre anexação", escreveu o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, numa publicação no Facebook no domingo, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado a declarar à imprensa que os EUA precisam de anexar a ilha.

Líderes europeus ressalvam que apenas a Gronelândia e a Dinamarca podem decidir

Os líderes em Copenhaga e em toda a Europa reagiram com desdém aos comentários de Trump e de outros responsáveis da Casa Branca, que reivindicaram o seu direito à Gronelândia nos últimos dias, especialmente tendo em conta que os EUA e a Dinamarca são aliados da NATO e estão vinculados por um acordo de defesa mútua.

Na terça-feira, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram uma declaração conjunta, afirmando que apenas a Gronelândia e a Dinamarca podem decidir sobre assuntos relacionados com as suas relações.

Questionada sobre as discussões para a compra da ilha, incluindo a possibilidade de pagamentos diretos aos groenlandeses, a Casa Branca remeteu a Reuters para as declarações da secretária de imprensa Karoline Leavitt e do secretário de Estado Marco Rubio na quarta-feira.

Durante uma conferência de imprensa, Leavitt reconheceu que Trump e os seus conselheiros de segurança nacional estavam a "analisar como seria uma possível compra". Rubio disse que se reuniria com o seu homólogo dinamarquês na próxima semana, em Washington, para discutir a Gronelândia.

A embaixada dinamarquesa recusou comentar, e o gabinete de representação da Gronelândia em Washington não respondeu a um pedido de comentário.

Discussões tornam-se cada vez mais sérias

Trump defende há muito tempo que os EUA precisam de adquirir a Gronelândia por diversas razões, incluindo a riqueza em minerais necessários para aplicações militares avançadas. Afirmou ainda que o Hemisfério Ocidental, de uma forma geral, precisa de estar sob a influência geopolítica de Washington.

Embora as deliberações internas sobre como tomar a Gronelândia ocorram entre os conselheiros de Trump desde antes de este assumir o cargo, há um ano, houve uma urgência renovada após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro numa ousada operação relâmpago no fim de semana, de acordo com fontes familiarizadas com as deliberações internas.

Uma fonte disse que os conselheiros da Casa Branca estavam ansiosos por aproveitar o ímpeto da operação contra Maduro para alcançar outros objetivos geopolíticos de longa data de Trump.

"Precisamos da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não poderá fazer isso", disse Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, no domingo. "É uma questão estratégica".

Uma das fontes familiarizadas com as deliberações da Casa Branca afirmou que as discussões internas sobre pagamentos únicos não eram necessariamente novas. No entanto, esta pessoa disse que se tornaram mais sérias nos últimos dias, e os conselheiros estavam a considerar valores mais elevados, com um pagamento de 100 mil dólares por pessoa — o que resultaria num pagamento total de quase 6 mil milhões de dólares — a ser uma possibilidade real.

Muitos detalhes sobre os possíveis pagamentos não eram claros, como quando e como seriam distribuídos caso a administração Trump optasse por esta via, ou o que seria exatamente esperado dos groenlandeses em troca. A Casa Branca afirmou que a intervenção militar é possível, embora as autoridades também tenham dito que os EUA preferem comprar a ilha ou adquiri-la por meios diplomáticos.

Acordo de livre associação é opção

Entre as possibilidades que estão a ser consideradas pelos conselheiros de Trump, segundo afirmou um responsável da Casa Branca na terça-feira, está a tentativa de assinar um tipo de acordo com a ilha chamado Pacto de Livre Associação (COFA).

Os detalhes precisos dos acordos COFA — que até à data foram estendidos apenas às pequenas nações insulares da Micronésia, Ilhas Marshall e Palau — variam de acordo com o signatário. Mas o governo dos EUA geralmente fornece muitos serviços essenciais, como a entrega de correio e a proteção militar. Em troca, as forças armadas dos EUA operam livremente nos países signatários do COFA, e o comércio com os EUA é, em grande parte, isento de impostos.

Já foram assinados acordos COFA com países independentes, e a Gronelândia necessitaria provavelmente de se separar da Dinamarca para que tal plano fosse implementado. Em teoria, os pagamentos poderiam ser utilizados para incentivar os groenlandeses a votarem pela independência ou a aderirem a um COFA após tal votação.

Embora as sondagens mostrem que uma esmagadora maioria dos groenlandeses deseja a independência, as preocupações com os custos económicos da separação da Dinamarca — entre outras questões — impediram a maioria dos legisladores groenlandeses de convocar um referendo sobre a independência.

As sondagens mostram ainda que a maioria dos gronelandeses, embora aberta à separação da Dinamarca, não deseja fazer parte dos EUA.

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