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Protestos

Irão nas ruas, silêncio na internet: Khamenei "não recuará", Pahlavi pede ajuda a Trump

09 jan, 2026 - 17:08 • Fábio Monteiro

O Irão enfrenta uma vaga de protestos que já se estende por todas as províncias e que motivou um corte quase total da internet. Khamenei endurece o discurso, Reza Pahlavi apela diretamente à intervenção dos EUA.

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O Irão vive o seu momento de maior tensão interna dos últimos anos. A desvalorização abrupta do rial, no final de dezembro, desencadeou uma onda de protestos, pondo em causa a legitimidade do regime. A repressão intensificou-se, a internet foi cortada e, nas ruas, ecoam palavras de ordem contra os líderes religiosos e a favor do regresso da monarquia.

Há 13 dias na rua

Os protestos no Irão entraram esta sexta-feira no seu 13.º dia consecutivo, depois de se terem iniciado em Teerão a 28 de dezembro com manifestações de comerciantes indignados com a desvalorização abrupta da moeda nacional, o rial.

Entre junho e dezembro de 2025, o rial perdeu 56% do seu valor. Ao mesmo tempo, a inflação atingiu a fasquia de mais de 40% no último mês do ano.

Os protestos espalharam-se pelas 31 províncias do país, envolvendo sobretudo jovens.

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Em resposta à escalada da contestação, as autoridades impuseram um apagão nacional da internet e bloquearam comunicações telefónicas, dificultando o acesso a informações e a coordenação entre manifestantes.

Até ao momento, pelo menos 42 pessoas morreram e mais de 2270 foram detidas, segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA).

Khamenei responde

O líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, garantiu, esta sexta-feira, numa intervenção televisiva que o regime "não recuará" face aos protestos, classificando os manifestantes como "vândalos" e "sabotadores" ao serviço de potências estrangeiras.

"Estão a destruir as suas próprias ruas para agradar ao presidente de outro país… porque ele disse que os ajudaria", disse, numa referência a Donald Trump.

A coroa no exílio: Pahlavi pede ajuda

Khamenei teme que o seu futuro possa estar a prazo. Nos últimos dias, o príncipe herdeiro Reza Pahlavi, exilado nos EUA desde a Revolução Islâmica de 1979, apelou diretamente à intervenção do presidente norte-americano Donald Trump.

"Senhor Presidente, este é um apelo urgente e imediato à sua atenção, apoio e ação. O povo voltará às ruas dentro de uma hora. Peço a sua ajuda", escreveu, numa publicação na rede social X.

Trump, por sua vez, já veio dizer que "atingirá o Irão com muita força" se as autoridades matarem manifestantes.

Bandeiras antigas, vozes novas

Embora o seu apoio interno seja difícil de medir, Reza Pahlavi é uma figura central na mobilização popular.

Na quinta-feira, convocou, por via das redes sociais, uma onda de protestos pelas 20h00. A sua convocatória foi largamente seguida, inclusive em Mashhad, cidade natal de Khamenei.

Segundo a BBC, vídeos mostram milhares nas ruas a entoar slogans como "Morte a Khamenei" e "Nem Gaza, nem Líbano, a minha vida é pelo Irão".

Numa mensagem publicada na rede X, o próprio Pahlavi afirmou: "Tenho orgulho em cada um de vós que conquistou as ruas do Irão na noite de quinta-feira. Sei que, apesar do corte da internet e das comunicações, não abandonarão as ruas. Garantam que a vitória é vossa!"

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