09 jan, 2026 - 14:05 • João Malheiro
O X (antigo Twitter) anunciou que a ferramenta do Grok — o bot de Inteligência Artificial (IA) da plataforma — que consegue remover a roupa que as pessoas estão a usar numa imagem passará a ser uma função exclusiva dos subscritores da versão paga do X. No entanto, quem não tem uma conta paga pode continuar a usar o Grok para editar imagens na plataforma individual deste serviço de IA.
A função faz parte de uma nova atualização do Grok que faz com que qualquer utilizador peça ao programa para analisar o conteúdo de uma fotografia e remover a roupa das pessoas que estão nessa imagem. Vários utilizadores têm manifestado a sua indignação com uma série de publicações em que o Grok remove as roupas de mulheres, famosas ou anónimas, e substitui por corpos em biquínis, gerados artificialmente.
Um dos casos mais virais foi o pedido de um utilizador para colocar a atriz de 14 anos Nell Fisher, protagonista da última temporada de "Stranger Things", de biquíni.
O governo britânico já reagiu, considerando a medida "um insulto" que apenas transforma "a criação de imagens ilegais num serviço premium".
"O primeiro-ministro foi claro na necessidade do X atuar, imediatamente", referiu um porta-voz do Executivo do Reino Unido.
O governo britânico autorizou a reguladora do mercado das comunicações a usar todos os seus poderes contra o X, incluindo uma eventual decisão de banir a plataforma do país.
Também Bruxelas está a analisar “muito seriamente” a mais recente polémica em torno do bot de conversação Grok, que tem sido utilizado para remover, através de Inteligência Artificial, a roupa de menores em fotografias partilhadas na plataforma X.
O próprio Elon Musk veio a público assegurar que haverá consequências para quem recorrer à ferramenta para fins ilegais. “Qualquer pessoa que use o Grok para criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências como se tivesse publicado conteúdo ilegal”, escreveu numa publicação partilhada no X.
Recorde-se que, em dezembro do ano passado, a Comissão Europeia aplicou uma multa de 120 milhões de euros à rede social X por violar obrigações de transparência previstas no Regulamento dos Serviços Digitais.