Ouvir
  • Noticiário das 18h
  • 18 jan, 2026
A+ / A-

Estados Unidos

"Está tudo bem, amigo". Divulgado novo vídeo da morte de Renee Nicole Good

10 jan, 2026 - 02:35 • Reuters

Mulher de 37 anos foi morta a tiro por um agente da polícia de imigração (ICE) numa rua de Minneapolis. Administração Trump defende o tiroteio como um ato de legítima defesa, uma versão que o autarca de Minneapolis classifica como “lixo”, à luz das imagens divulgadas.

A+ / A-

A Casa Branca publicou esta sexta-feira, nas redes sociais, um novo vídeo captado pelo telemóvel do agente de imigração dos Estados Unidos que, esta semana, matou a tiro uma mulher no Minnesota dentro do seu automóvel, acrescentando novos elementos à documentação de um incidente que desencadeou vários dias de protestos em todo o país.

No novo vídeo, Renee Nicole Good, de 37 anos, aparentando calma, é ouvida a dizer ao agente: “Está tudo bem, amigo, não estou zangada consigo” — algumas das últimas palavras que proferiu — momentos antes de o agente abrir fogo, quando Good arranca com o carro.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

O vídeo de 47 segundos deverá agravar ainda mais as tensões entre dirigentes dos governos estadual e local e membros da administração do Presidente Donald Trump, que têm apresentado versões profundamente divergentes sobre o tiroteio ocorrido na quarta-feira num bairro residencial de Minneapolis.

As autoridades do Minnesota anunciaram na sexta-feira a abertura de uma investigação criminal própria, depois de alguns responsáveis policiais estaduais terem afirmado que o FBI se recusava a cooperar com os investigadores do estado.

O vídeo, obtido pelo site Alpha News e verificado pela agência Reuters, começa no momento em que o agente do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE), Jonathan Ross, sai do seu carro e se dirige para o SUV Honda de Good, que se encontra parcialmente a bloquear o trânsito, com a frente apontada para a via. Um cão preto é visível por instantes no banco traseiro do veículo, através de uma janela traseira aberta.

À medida que Ross se aproxima e começa a contornar o SUV, Good faz marcha-atrás durante alguns metros antes de falar com o agente de forma descontraída, através da janela aberta. Ross continua então a contornar o veículo, filma a matrícula e encontra-se com a esposa de Good, Becca Good, que está na rua.

“Não mudamos as matrículas todas as manhãs, só para que saiba. Será a mesma matrícula quando vier falar connosco mais tarde. Está tudo bem. Cidadã norte-americana”, diz Becca Good.

Becca Good, que filmava o agente do ICE com o seu próprio telemóvel, acrescenta depois: “Quer vir contra nós? Eu digo-lhe para ir almoçar, grandalhão.”

Nesse momento, outro agente do ICE aproxima-se do Honda pelo lado do condutor, à esquerda de Renee Good, e ordena-lhe que saia do carro. Ela é vista a fazer brevemente marcha-atrás, antes de engrenar a marcha em frente e virar o volante para a direita, aparentemente tentando afastar-se do local.

Quando o carro avança, Ross, que entretanto regressara à frente esquerda do veículo, grita “Wow!”. Ouvem-se disparos, e o carro desaparece por instantes do enquadramento, enquanto a mão do agente que segura o telemóvel é sacudida.

O vídeo mostra depois o carro a seguir desgovernado pela rua, enquanto se ouve alguém murmurar um insulto: “Fucking bitch”.

Versões contraditórias

O vice-presidente JD Vance, que acusou Good de ter usado deliberadamente o carro como uma arma, voltou a partilhar o vídeo, afirmando que este demonstrava que a vida do agente esteve em perigo.

Outros vídeos mostram Good a virar as rodas dianteiras do carro para longe de Ross enquanto avança, ao mesmo tempo que o agente dispara três tiros, recuando com um salto à frente do veículo. Os dois últimos disparos parecem ser feitos através da janela do lado do condutor, já depois de o pára-choques dianteiro do carro ter passado pelas pernas do agente.

Não é claro se Ross chegou a ser atingido pelo carro, mas as imagens mostram-no a manter-se de pé e a caminhar calmamente na direção do veículo após os disparos.

Responsáveis da administração Trump defenderam o tiroteio como um ato de legítima defesa e acusaram Good de “terrorismo doméstico” — uma narrativa que o presidente da câmara democrata de Minneapolis, Jacob Frey, classificou como “lixo”, à luz das imagens divulgadas.

Renee Good era mãe de três filhos, incluindo um rapaz de seis anos. Becca Good divulgou na sexta-feira uma declaração à Minnesota Public Radio, na qual afirmou que ambas tinham “parado para apoiar os nossos vizinhos”.

“Nós tínhamos apitos”, escreveu. “Eles tinham armas.”

“Renee vivia segundo uma convicção profunda: existe bondade no mundo e precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para a encontrar onde ela existe e cultivá-la onde precisa de crescer”, afirmou. “Renee era cristã e sabia que todas as religiões ensinam a mesma verdade essencial: estamos aqui para nos amarmos uns aos outros, cuidarmos uns dos outros e mantermo-nos seguros e íntegros.”

Uma página na plataforma GoFundMe, criada para apoiar a esposa e a família de Renee Good, tinha angariado mais de 1,5 milhões de dólares até ao início da tarde de sexta-feira. Uma mensagem publicada na página indicava que já não estavam a ser aceites mais donativos e que o dinheiro seria colocado num fundo fiduciário para a família.

Ouvir
  • Noticiário das 18h
  • 18 jan, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Ela não era american
    10 jan, 2026 Então devia saber como as coisas se passam no País dela 14:01
    Num país cheio de armas onde a paciência é pouca e a vontade de carregar no gatilho é muita, é um erro andar de megafone na bocarra, a provocar e incitar pessoas contra a autoridade, pessoas essas que elegeram o atual Presidente e até já sabiam como ele era. E quando além dos insultos e incitamento contra as autoridades, que mal ou bem apenas cumprem ordens do tipo que os camones elegeram, ainda há troça, desobediência e atitudes que se confundem com resistência, temos o caldo de cultura para acontecerem casos destes.

Destaques V+