10 jan, 2026 - 00:20 • Ricardo Vieira
O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, tentou encontrar uma saída diplomática para o conflito entre os Estados Unidos e a Venezuela, que resultou na captura do Presidente Nicolás Maduro por forças especiais norte-americanas, no sábado passado.
A informação foi avançada pelo jornal “The Washington Post”, que teve acesso a documentos do governo norte-americano.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Na véspera de Natal, o secretário de Estado do Vaticano reuniu-se com o embaixador dos Estados Unidos junto da Santa Sé, Brian Burch.
Pietro Parolin, o “número dois” do Papa Leão XIV, mostrou-se preocupado com o agravamento da situação.
Os Estados Unidos tinham destacado um porta-aviões e realizado vários ataques contra barcos que alegadamente transportavam droga, provocando uma centena de mortes.
O Presidente Donald Trump acusou Nicolás Maduro de fazer parte de um cartel que envia droga para os EUA.
O objetivo do encontro entre o cardeal e o embaixador Burch foi conhecer os planos dos Estados Unidos para a Venezuela, de acordo com documentos do governo norte-americano, a que o “The Washington Post” teve acesso.
O jornal refere que o cardeal Pietro Parolin queria evitar um banho de sangue e uma onda de instabilidade na Venezuela, de consequências imprevisíveis.
O cardeal terá afirmado que a Rússia estava disposta a conceder asilo ao Presidente venezuelano, e pediu paciência à administração Trump para convencer Nicolás Maduro a abandonar o país.
“O que foi proposto a [Maduro] foi que se afastasse e pudesse usufruir do seu dinheiro”, afirmou uma fonte familiarizada com a oferta russa. “Parte dessa proposta incluía uma garantia de segurança por parte do Presidente [Vladimir] Putin”.
A Administração Trump não esperou e lançou a “Operação Resolução Absoluta”, que culminou na captura e extração de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores, por forças especiais, em Caracas, à revelia do Direito Internacional.
Vaticano
Perante os diplomatas acreditados no Vaticano, Leã(...)
Em resposta ao “The Washington Post”, o Vaticano confirma a reunião entre o cardeal Pietro Parolin e o embaixador norte-americano, mas refere que a notícia não reflete com precisão o conteúdo da conversa entre os dois diplomatas.
"É lamentável que partes de uma conversa confidencial tenham sido divulgadas sem refletir com precisão o conteúdo da conversa em si, que ocorreu durante o período natalício", disse a sala de imprensa da Santa Sé, em comunicado enviado ao “The Washington Post”.
De acordo com o jornal, outros esforços diplomáticos para evitar uma escalada da situação na Venezuela, envolvendo representantes norte-americanos e mediadores russos, qataris e turcos.
Maduro e a mulher foram levados para Nova Iorque, onde foram formalmente acusados de vários crimes, incluindo tráfico internacional de droga.
"Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente. Ainda sou o Presidente do meu país", declarou em tribunal o presidente deposto.