12 jan, 2026 - 15:45 • João Malheiro
María Corina Machado pediu ao Papa que intercedesse a favor da libertação dos mais de mil presos políticos do regime de Maduro, na Venezuela, num encontro com esta segunda-feira no Vaticano.
Durante a audiência privada com Leão XIV, a líder da oposição venezuelana apelou, ainda, ao incentivo de uma transição para um regime democrático, numa altura em que os Estados Unidos da América (EUA) assumem a influência no controlo da Venezuela, que em termos oficiais é, agora, governada pela Presidente interina, Delcy Rodríguez, após a prisão em Caracas de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores, a 3 de janeiro, por tropas norte-americanas.
"Hoje tive a bênção e a honra de poder compartilhar com Sua Santidade e expressar nossa gratidão pelo seu apoio contínuo ao que está a acontecer no nosso país. Também transmiti a força do povo venezuelano, que permanece firme e em oração pela liberdade da Venezuela", referiu a mais recente vencedora do Prémio Nobel da Paz, citada por uma conta oficial sua, no X (antigo Twitter).
María Corina Machado destacou a luta espiritual que os venezuelanos enfrentam há anos e assegurou que, finalmente, com o apoio da Igreja e a pressão sem precedentes do governo dos EUA, "a derrota do mal" no país está mais próxima.
Após esse encontro, a líder da oposição venezuela também conversou com Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé e que chegou a ser Núncio na Venezuela, entre 2009 e 2013.
A organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal disse que, até sábado à noite, o Governo da Venezuela apenas tinha libertado 17 pessoas detidas por motivos políticos, com 803 ainda detidas.
Já a maior coligação da oposição, a Plataforma Democrática Unitária, anunciou a libertação de pelo menos 22 presos políticos.
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou na quinta-feira a libertação de um "número significativo" de pessoas detidas, incluindo cidadãos venezuelanos e estrangeiros.