13 jan, 2026 - 09:50 • Olímpia Mairos
Cerca de 350 tratores desfilaram, esta terça-feira, pelas ruas de Paris, numa nova ação de protesto dos agricultores franceses contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que consideram prejudicial para a agricultura nacional por promover concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas.
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A mobilização, a segunda numa semana, voltou a levar dezenas de máquinas agrícolas até pontos simbólicos da capital francesa, incluindo o Arco do Triunfo e o edifício do parlamento, num sinal do agravamento da contestação no setor. Os agricultores da França — o maior produtor agrícola da União Europeia — e de outros Estados-Membros denunciam o que classificam como concorrência desleal de produtos sul-americanos mais baratos e produzidos segundo normas diferentes das exigidas na União Europeia.
A manifestação desta terça-feira foi organizada pela FNSEA, um dos maiores sindicatos agrícolas do país. Na semana anterior, outro sindicato, a Coordination Rurale, já tinha levado tratores até à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, numa ação surpresa.
Segundo a polícia de Paris, cerca de 350 tratores participaram no protesto desta terça-feira. Um dos comboios voltou a convergir para o Arco do Triunfo, enquanto outro se dirigiu para o edifício do parlamento francês, a Assembleia Nacional.
“O acordo com o Mercosul foi aprovado mesmo sem o Parlamento Europeu ter dado a sua opinião. Isto vai levar à importação de produtos estrangeiros que somos perfeitamente capazes de produzir em França e que não respeitam as normas impostas à agricultura francesa”, afirmou Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA e agricultor da região de Paris, citado pela Reuters.
Greffin acrescentou que, além do protesto em frente ao parlamento francês, os agricultores planeiam também manifestar-se no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.
A aprovação do acordo do Mercosul pela maioria dos Estados da UE na sexta-feira, apesar da oposição da França, intensificou a pressão sobre o Governo, tanto por parte dos agricultores como dos partidos da oposição, alguns dos quais apresentaram moções de censura.
“A agricultura está a atravessar uma crise como nunca vimos e precisamos de nos fazer ouvir”, afirmou Guilllaume Lefort, agricultor de Seine-et-Marne, na região de Paris, enquanto segurava uma bandeira da FNSEA em frente à Assembleia Nacional.
A porta-voz do Governo, Maud Brégeon, afirmou esta terça-feira que “o diálogo continua”, nomeadamente sobre “a transmissão, a questão dos rendimentos, a questão da água e a adaptação às alterações climáticas”.
“O que o Governo colocou em cima da mesa não é um acordo final”, acrescentou.
Já a ministra da Agricultura, Annie Genevard, reconheceu anteriormente que a cólera dos agricultores é “profunda” e que as suas reivindicações são “legítimas”, garantindo que foram ouvidas “ao mais alto nível do Governo”.
Na sexta-feira, Annie Genevard anunciou um pacote de medidas no valor de 300 milhões de euros para apoiar produtores de cereais, viticultores e criadores de gado. No entanto, as medidas não foram suficientes para travar os protestos, até porque o apoio financeiro depende, em grande parte, da aprovação do Orçamento do Estado para 2026.