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"O meu medo é o ataque americano", diz iraniana em Portugal

13 jan, 2026 - 23:30 • Pedro Mesquita , com redação

Sepideh Radfar afirma que o povo iraniano tem motivos para protestar, e lamenta o elevado número de mortos - mais de dois mil -, mas sublinha que Trump não é o polícia do mundo, nem tem qualquer mandato da ONU.

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"O meu medo é o ataque americano", diz Sepideh Radfar

Pode estar iminente uma intervenção militar norte-americana no Irão. Quem o admite, com receio, é Sepideh Radfar, uma professora universitária iraniana a residir em Portugal há longos anos.

Donald Trump escreveu nas redes sociais que "a ajuda está a caminho do Irão", incentivando a população daquele país a prosseguir os protestos e a ocupar as instituições do país.

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Em declarações à Renascença, Sepideh Radfar sublinha que o povo iraniano tem motivos para protestar, e lamenta o elevado número de mortos - mais de dois mil -, mas sublinha que Trump não é o polícia do mundo, nem tem qualquer mandato da ONU.


O que espera do Presidente norte-americano, Donald Trump?

Infelizmente, desde este mandato do Sr. Trump, nós vimos que quando ele fala, ele mesmo atua.

Admite que possa haver um ataque dos Estados Unidos?

O meu medo é esse, o meu medo é o ataque americano, e os danos que vai causar aos civis, à vida dos iranianos, à segurança nacional, tudo isso. Estou muito preocupada mesmo.

No caso de um ataque americano, que tipo de resposta é que poderia haver por parte de Teerão?

Eu não faço parte de nenhuma… eu não sou responsável, mas o que nós sabemos é que já avisaram que todas as bases americanas na região, na vizinhança do Irão, serão alvos de respostas.

Vamos ver qual é a dimensão do ataque que os americanos vão fazer e como é que o Irão vai responder e onde vai chegar, porque a questão é, ok, vai atacar. Primeiro, este ataque, eu não acredito na questão da ajuda. Os Estados Unidos, os americanos nunca vão a nenhum lado para ajudar os povos, eles vão atrás dos próprios interesses, isso a história já nos ensinou e recentemente estamos a assistir isso: petróleo, interesses, geopolítico, etc, etc.

Em contrapartida, como é que olha para essas manifestações, que já provocaram mais de dois mil mortos?

Eu não posso admitir o que está a acontecer ao povo iraniano.

E isso não justifica uma eventual intervenção para tentar pôr cobro a essa situação?

Os Estados Unidos autorizaram? O Conselho de Segurança autorizou? Quem é a polícia do mundo, qual é a justificação? Eu acho que é o próprio povo que tem que tomar conta do próprio destino.

Mas como é que classifica estas manifestações?

O povo iraniano tem todo o direito a manifestar-se, a reclamar e exigir tudo o que quer. Dignidade antes de tudo, meios financeiros, económicos para uma vida digna para todos os cidadãos.

Infelizmente, o governo foi incapaz de fazer qualquer reforma económica para facilitar, para dar uma vida mais confortável aos iranianos. Não vamos esquecer também as sanções que estão a fazer a pressão sobre o povo iraniano, também.

Coloca-se ao lado dos manifestantes e destes protestos, mas do seu ponto de vista isso não se resolve com uma intervenção externa?

Claro que não, eu sou contra qualquer intervenção externa. Também condeno qualquer agressividade e opressão contra a população iraniana. Agora, o Estado iraniano, o regime diz que há infiltração de elementos externos dentro deste povo que está a criar esta confusão.

Nós estamos a sentir falta das Nações Unidas, uma delegação das Nações Unidas para ter acesso a verificar as verdades, a acusar, a condenar. É lamentável que no século XXI não tenhamos umas Nações Unidas com um Conselho de Segurança sólido, com convicção profunda para poder ajudar os povos.

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