14 jan, 2026 - 19:49 • Ricardo Vieira, com Reuters
A Gronelândia pretende reforçar a cooperação com os Estados Unidos, mas não quer ser propriedade norte-americana, afirmou esta quarta-feira a ministra dos Negócios Estrangeiros.
Vivian Motzfeldt falava aos jornalistas após uma reunião, em Washington, com a Administração Trump.
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No encontro de alto nível com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, a chefe da diplomacia da Gronelândia esteve acompanhada pelo homólogo dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca disse que mantiveram uma “discussão franca, mas também construtiva” com responsáveis dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.
Rasmussen afirmou que os Estados Unidos e a Dinamarca vão criar um grupo de trabalho para discutir um vasto leque de questões relacionadas com o território ultramarino dinamarquês.
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No entanto, deixou claro que Washington não alterou a sua posição de que deve adquirir a Gronelândia, um desfecho que Rasmussen e Motzfeldt classificaram como uma violação inaceitável da soberania.
“Não conseguimos mudar a posição americana”, disse Rasmussen aos jornalistas, à saída da embaixada da Dinamarca em Washington, após o final da reunião.
“É evidente que o Presidente [Donald Trump ]tem este desejo de conquistar a Gronelândia”, sublinhou o chefe da diplomacia dinamarquesa.
O Presidente dos Estados Unidos afirma que “algo se resolverá” em relação à Gronelândia, depois da reunião desta quarta-feira, em Washington.
“A Gronelândia é muito importante para a segurança nacional, incluindo a da Dinamarca”, declarou Trump.
“E o problema é que não há nada que a Dinamarca possa fazer se a Rússia ou a China quiserem ocupar a Gronelândia, mas há tudo o que nós podemos fazer. Ficaram a saber isso na semana passada com a Venezuela”, acrescentou.
Perante as ameaças da Administração Trump, Alemanha, Suécia e Noruega preparam-se para enviar militares para a Gronelândia.
De acordo com o jornal Bild, uma missão de reconhecimento alemão poderá arrancar já na quinta-feira.
Antes da reunião desta quarta-feira, em Washington, a Dinamarca anunciou que vai reforçar a presença militar na Gronelândia e insistir no reforço da NATO no Ártico, afirmou o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa dinamarquês.
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“Continuaremos a reforçar a nossa presença militar na Gronelândia, mas iremos também insistir no seio da NATO em mais exercícios e numa presença acrescida da Aliança no Ártico”, disse Troels Lund Poulsen.
Entretanto, os líderes do Parlamento Europeu apelaram esta quarta-feira à Comissão Europeia e aos Estados-membros para que ofereçam um “apoio concreto e tangível” à Gronelândia e à Dinamarca, ao mesmo tempo que condenaram as exigências dos Estados Unidos para assumir o controlo da Gronelândia.
“Declarações feitas pela administração Trump sobre a Gronelândia constituem um desafio flagrante ao direito internacional, aos princípios da Carta das Nações Unidas e à soberania e integridade territorial de um aliado da NATO”, afirmaram os líderes dos grupos políticos do Parlamento Europeu, num comunicado conjunto.
“A segurança do Ártico é uma prioridade estratégica para a União Europeia e estamos firmemente empenhados em protegê-la.”
[notícia atualizada às 22h53 - com declarações de Donald Trump]