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Desastres naturais vão agravar acesso ao crédito à habitação em zonas de maior risco climático

16 jan, 2026 - 08:00 • Olímpia Mairos , com Lusa

Eventos extremos como inundações e ondas de calor estão a pressionar o mercado segurador e podem dificultar o financiamento imobiliário, alerta a WWF.

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Inundações, ondas de calor e outros fenómenos extremos estão a tornar-se um risco para a resiliência financeira da União Europeia (UE), com estes fenómenos a terem um impacto crescente no acesso à habitação. O alerta é da WWF, que avisa para uma crise de seguros cada vez mais profunda à medida que os riscos climáticos aumentam.

“O que não é segurável deixa de ser financiável”, sublinha a organização num relatório recente. Segundo a WWF, proprietários de imóveis e empresas localizadas em zonas de elevado risco climático, sem cobertura de seguros, podem perder o acesso a crédito bancário e a financiamentos imobiliários.

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O estudo, elaborado com o apoio de seguradoras como a Allianz e a Generali e de instituições académicas como a UC Berkeley, a London School of Economics e a Universidade de Economia e Negócios de Viena, conclui que os riscos ambientais estão a empurrar áreas até agora consideradas seguras para zonas de perigo.

A organização ambientalista alerta que cada vez mais regiões europeias enfrentam uma “crise de seguros”, num contexto em que os eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos. Esta tendência é confirmada por uma análise recente da empresa imobiliária Jones Lang LaSalle, que estima que cerca de 580 mil milhões de dólares em ativos imobiliários comerciais estejam concentrados nas dez cidades europeias mais vulneráveis às alterações climáticas.

De acordo com a WWF, Roma, Istambul, Barcelona e Atenas estão entre as cidades com maior risco climático, enquanto Paris lidera em termos de valor total de edifícios expostos.

O agravamento do risco terá consequências diretas no bolso das famílias e das empresas. “O aumento dos custos dos seguros vai traduzir-se em encargos cada vez mais elevados para os cidadãos, as empresas e os orçamentos públicos”, alerta Dominyka Nachajute, especialista financeira da WWF, que defende “medidas urgentes” para proteger a estabilidade financeira europeia.

A Europa é particularmente vulnerável porque está a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global, expondo novas regiões a fenómenos extremos e colocando alguns mercados seguradores “à beira do colapso”. Entre 1980 e 2023, apenas entre 5% e 20% dos prejuízos económicos causados por desastres naturais foram cobertos por seguros, segundo dados da Agência Europeia do Ambiente.

Só no verão de 2025, ondas de calor, inundações e secas terão provocado prejuízos estimados em 43 mil milhões de euros na União Europeia. Sem medidas adicionais, as perdas acumuladas poderão atingir os 126 mil milhões de euros até 2029, avisa a WWF.

Para travar este cenário, a organização defende que os governos e reguladores avaliem de forma abrangente os riscos climáticos, cumpram as metas ambientais e reforcem os mecanismos de adaptação, incluindo soluções baseadas na natureza.

A WWF apela ainda à criação de sistemas de partilha de riscos entre seguradoras e Estados e a uma maior exigência de planos de transição climática às empresas, defendendo uma reorientação do investimento para longe dos combustíveis fósseis.

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