18 jan, 2026 - 20:19 • Redação com Reuters
O presidente do Irão avisou no domingo que qualquer ataque dos Estados Unidos ao líder supremo do país desencadearia uma “resposta dura” de Teerão, depois de um responsável iraniano na região ter afirmado que pelo menos 5.000 pessoas — incluindo cerca de 500 elementos das forças de segurança — morreram em protestos a nível nacional.
Trump tem dito, por várias vezes, que poderá ordenar uma intervenção militar no Irão caso os manifestantes anti-regime continuem a ser mortos nas ruas ou executados. Numa entrevista ao Politico no sábado, afirmou: “É tempo de procurar uma nova liderança no Irão”.
“Se existem dificuldades e restrições na vida do querido povo do Irão, uma das principais causas é a hostilidade de longa data e as sanções desumanas impostas pelo governo dos EUA e pelos seus aliados”, acrescentou Pezeshkian.
Os protestos abrandaram na semana passada após uma repressão violenta. O grupo de direitos humanos sediado nos EUA, o HRANA, disse no sábado que o número de mortos tinha atingido 3.308, com mais 4.382 casos sob análise. Acrescentou ter confirmado mais de 24.000 detenções.
Na sexta-feira, Trump agradeceu aos líderes de Teerão — numa publicação nas redes sociais —, dizendo que tinham cancelado execuções previstas de 800 pessoas. O Presidente norte-americano transferiu meios militares dos EUA para a região, mas não especificou que medidas poderá tomar.
Um dia depois, o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, classificou Trump de “criminoso”, reconhecendo “vários milhares de mortos”, que atribuiu a “terroristas e agitadores” ligados aos EUA e a Israel.
O poder judicial iraniano indicou que as execuções poderão avançar.
Médio Oriente
A agência de notícias HRANA, com sede nos Estados (...)
“Uma série de ações foi identificada como Mohareb, que está entre as punições islâmicas mais severas”, disse o porta-voz do poder judicial iraniano, Asghar Jahangir, numa conferência de imprensa no domingo.
Mohareb, um termo jurídico islâmico que significa travar guerra contra Deus, é punível com a morte ao abrigo da lei iraniana. O responsável iraniano disse à Reuters que é pouco provável que o número verificado de mortos “aumente acentuadamente”, acrescentando que “Israel e grupos armados no estrangeiro” apoiaram e equiparam os que saíram às ruas.
Os bloqueios à internet foram parcialmente levantados por algumas horas no sábado, mas o grupo de monitorização NetBlocks disse que foram posteriormente retomados.