19 jan, 2026 - 18:10 • Catarina Magalhães, com Reuters
Os investigadores que estão a tentar apurar as circunstâncias do descarrilamento de dois comboios de alta velocidade neste domingo, em Córdoba, no Sul de Espanha, encontraram uma junta partida nos carris na zona do acidente, avançou à agência de notícias Reuters uma fonte próxima dos técnicos no terreno.
A colisão de comboios causou, pelo menos, 40 mortos e provocou 122 feridos, 12 destes hospitalizados em estado grave, confirmam as autoridades espanholas.
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A 360 quilómetros da capital espanhola, Madrid, algumas composições de um comboio da empresa privada Iryo, que ligava Málaga a Madrid, descarrilaram e invadiram a outra via, num momento em passava outro comboio, em sentido contrário, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.
Segundo a informação avançada pela Reuters, os técnicos identificaram algum desgaste na "junta defeituosa", que possivelmente criou um espaço entre os carris. Para além disso, há sinais de que essa falha já existia há algum tempo.
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Desde agosto, um sindicato de maquinistas espanhóis queixava-se diariamente e pedia a resolução de problemas nos carris e outras infraestruturas da rede de alta velocidade, incluindo no local onde ocorreu a colisão fatal.
Tal como a Renascença tinha noticiado em agosto, o sindicato alertava para o desgaste dos carris, depressões e lombas que criavam danos frequentes aos veículos públicos. A velocidade máxima no local do acidente é de 250 km/h.
A fonte que informou a Reuters pediu para não ser identificada, mas diz que a irregularidade da junta poderá ser a causa do descarrilamento na ferrovia espanhola.
A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários de Espanha (CIAF), responsável pela investigação global das causas do desastre, não respondeu de imediato às perguntas da agência de notícias. Nem o Ministério dos Transportes quis adiantar quaisquer comentários.
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Maquinistas queixavam-se diariamente das condições(...)
Já o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, que coordena a empresa do segundo comboio que descarrilou, disse a uma rádio local que ainda era cedo para falar sobre uma possível causa.
Porém, Heredia afirmou que o acidente ocorreu em “condições estranhas”, acrescentando que o “erro humano está praticamente excluído”.
Por sua vez, o presidente da Associação de Engenheiros de Estradas, José Trigueros, afirmou que a sua análise preliminar sugere uma “falha do sistema de rodagem das unidades traseiras” do comboio Iryo.
Embora não tenha excluído um problema na via, Trigueros referiu que as inspeções noturnas destinavam-se apenas a detectar qualquer "cansaço" dos carris, para reduzir automaticamente a velocidade, se necessário, de circulação a partir do centro de controlo.
Cerca de 500 passageiros seguiam viagem nos dois comboios de alta velocidade acidentados, operados pelas empresas Iryo e Renfe.
O Governo de Espanha prometeu uma investigação independente para apurar as causas do acidente e decretou três dias de luto nacional em memória das vítimas.
[notícia atualizada com novo título - substituiu o título inicial: "Acidente em Espanha. Investigadores encontram carril partido na zona do descarrilamento dos comboios"]