19 jan, 2026 - 08:37 • João Malheiro
São já pelo menos cinco mil o número de mortos na sequência de protestos contra o regime do Irão.
Os novos dados são confirmados por um oficial de Teerão à Reuters, sublinhando que a maioria das mortes deve-se a confrontos violentos na região curda a norte do país, em que movimentos separatistas tentam incentivar as manifestações.
Cerca de 500 vítimas tratam-se de elementos das forças de segurança, segundo a mesma fonte, que culpa "terroristas e protestantes armados".
No início da madrugada desta segunda-feira, a organização não-governamental Human Rights Activists News Agency (HRANA) tinha apontado para pelo menos 3.919 mortos e que pelo menos 24 mil pessoas tinham sido detidas durante os protestos.
A HRANA está, ainda, a investigar outras 8.949 mortes que ainda não foram confirmadas como relacionadas com os protestos, pelo que o número final de mortos poderá triplicar.
Em relação aos feridos, dos 8.949 casos registados pela HRANA, 2.109 correspondem a pessoas com ferimentos graves e, além disso, há 24.669 detenções confirmadas.
A HRANA alertou ainda para uma nova vaga de detenções em várias cidades e denunciou a "retórica ameaçadora" de altos funcionários "em resposta à pressão estrangeira".
A ONG destacou ainda a contínua "suspensão generalizada" do serviço de Internet, o que dificulta a recolha de informação.
Os protestos começaram em 27 de dezembro no Grande Bazar de Teerão, em resposta ao colapso da moeda nacional, o rial, mas desde então têm-se intensificado, transformando-se em manifestações generalizadas contra a classe política nas principais cidades do país.