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Acidente em Espanha. Conjunto de rodas encontrado em ribeiro a 270 metros de comboio descarrilado

21 jan, 2026 - 17:04 • João Pedro Quesado

A chamada com o controlo de tráfego ferroviário indica que o maquinista da Iryo não se apercebeu que a paragem do comboio se devia a um descarrilamento. Maquinista da Renfe, que morreu, nunca respondeu às chamadas do controlo.

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Um conjunto de rodas de um comboio foi encontrado, na terça-feira, a mais de 270 metros do local do descarrilamento e colisão entre dois comboios de alta velocidade perto de Córdoba, em Espanha. A peça de várias toneladas terá sido encontrada por um fotojornalista do The New York Times.

Segundo o jornal norte-americano, o bogie — nome dado ao conjunto de rodados com motores de tração — foi encontrado num ribeiro a 275 metros do local do acidente, parcialmente submerso e sem indicações de já ter sido analisado pelas autoridades.

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Os agentes da polícia a assistir na investigação afirmaram ao jornal, quando foi revelada a localização, que estavam à procura dessa peça. Mais tarde, afirmaram saber da localização, mas não poder comentar.

No final da terça-feira, a Adif, gestora da infraestrutura ferroviária espanhola, afirmou ao The New York Times que a parte tinha sido localizada pelos investigadores, mas não esclareceu quando foi.

Tudo indica que o conjunto de rodados encontrado nesta ribeira pertence ao comboio da Iryo. De acordo com o El País, a peça está a 275 metros do comboio da Iryo, que fazia o percurso entre Málaga e Madrid, e do lado da linha ocupado por este comboio.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, disse esta quarta-feira que era o bogie dianteiro da oitava carruagem do comboio da Iryo que estava "desaparecido". Essa ausência é visível nas imagens da carruagem, a última do comboio, tombada — foi o descarrilamento desta e de outras duas carruagens, a sexta e a sétima, que fez esta parte do comboio vermelho ocupar a via onde circulava o comboio de alta velocidade da Renfe, do serviço Alvia, e provocou o embate fatal para 43 pessoas.

A investigação ferroviária tem de apurar se os danos que encontra nos comboios e na linha ferroviária são provocados pelo acidente ou provocaram o acidente. O conjunto de rodas agora encontrado deverá ter sido arrancado do comboio devido ao impacto do comboio da Renfe, após o descarrilamento da composição da Iryo.

Comboio da Iryo descarrilado e tombado em linha de alta velocidade em Espanha. Foto: Susana Vera/Reuters
Comboio da Iryo descarrilado e tombado em linha de alta velocidade em Espanha. Foto: Susana Vera/Reuters
Conjunto de rodados (bogie) perto de local de descarrilamento e colisão de dois comboios de alta velocidade em Espanha. Foto: Guarda Civil Espanhola/EPA
Conjunto de rodados (bogie) perto de local de descarrilamento e colisão de dois comboios de alta velocidade em Espanha. Foto: Guarda Civil Espanhola/EPA
Comboio da Renfe Alvia que colidiu com comboio da Iryo. Foto: J.j. Guillen/EPA
Comboio da Renfe Alvia que colidiu com comboio da Iryo. Foto: J.j. Guillen/EPA
Foto: Jorge Zapata/EPA
Foto: Jorge Zapata/EPA

Óscar Puente indicou também que o comboio da Iryo apresenta marcas do tamanho de uma moeda nas rodas das primeiras cinco carruagens, que não descarrilaram. Uma hipótese para o surgimento destas marcas é a rotura de 30 centímentros encontrada num carril, devido a uma junta que podia apresentar defeitos.

"Os bogies das primeiras cinco carruagens apresentam uma marca e é possível — está-se a investigar — que os dois ou três comboios que passaram antes tenham marcas semelhantes", afirmou o ministro na TVE. "A questão agora é saber porque se criaram essas marcas".

Maquinista da Iryo não se apercebeu que "problema" era descarrilamento

As comunicações entre o maquinista da Iryo e o controlo de tráfego ferroviário, reveladas pelo jornal elDiario.es, mostram que o profissional não se apercebeu imediatamente que o problema do comboio era um descarrilamento.

O maquinista contactou o controlo, na estação de Atocha, em Madrid, às 19h45, para informar que tinha sofrido um "problema na zona de Adamuz". Informou, na mesma chamada, que baixou os pantógrafos — dispositivos do comboio que captam energia elétrica do cabo (catenária) colocado acima da linha — e que o comboio estava bloqueado.

O trabalhador da Iryo voltou a contactar Atocha quase às 19h50, para informar que se tratava de um descarrilamento, "a invadir a via contígua", com um incêndio e feridos no comboio.

No entretanto, o controlo de Atocha tentou contactar duas vezes o maquinista do comboio da Renfe, sem obter resposta. Às 19h49, contactou outra trabalhadora no mesmo comboio, que respondeu de forma alarmada: "Tenho sangue na cabeça, vou tentar falar com o maquinista".

A sequência de comunicações indica que o maquinista da Iryo, ao não saber que se tratava de um descarrilamento, não se apercebe que o comboio da Renfe bateu no comboio que tripulava — porque o embate aconteceu na outra ponta do comboio, e não onde o maquinista estava. O embate terá ocorrido antes da chamada com o controlo de tráfego — do descarrilamento de um comboio até à colisão dos dois terão passado breves segundos.

O comboio da Renfe que fazia o serviço Alvia tem uma velocidade máxima de 250 km/h, e pertence a uma série da CAF e Alstom com duas datas de construção, 2001 e 2004. A Iryo utiliza os comboios Frecciarossa 1000, desenhados pela atual Alstom, que podem atingir 400 km/h (mas estão limitado a uma velocidade comercial de 300 km/h).

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