21 jan, 2026 - 02:15 • Ricardo Vieira
O mundo está a assistir a um novo máximo histórico de ataques contra instalações e equipas médicas em cenários de guerra, denunciou esta quarta-feira um relatório dos Médicos Sem Fronteiras (MSF). Em 2025 foram registados 1.348 incidentes.
A organização humanitária alerta para um recorde de ataques contra equipas médicas em cenários de guerra e acusa os Estados de negligenciar a obrigação de proteger a população civil.
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Em 2025, o Sistema de Vigilância de Ataques contra os Cuidados de Saúde (SSA, na sigla em inglês) da Organização Mundial da Saúde registou um total de 1.348 ataques a instalações médicas, que resultaram na morte de 1.981 pessoas.
“Este número representa um aumento significativo das vítimas mortais entre profissionais de saúde e doentes em zonas de conflito, tendo duplicado face a 2024, quando se contabilizaram 944 mortos”, denunciam os Médicos Sem Fronteiras.
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O Sudão foi o país mais afetado, com 1.620 mortes, seguido do Myanmar, com 148, da Palestina, com 125, da Síria, com 41, e da Ucrânia, com 19 vítimas mortais.
Os Médicos Sem Fronteiras acusam as partes em conflito de “cada vez mais esquivarem-se da obrigação, prevista no direito internacional humanitário, de proteger instalações médicas, profissionais de saúde, doentes e veículos de socorro”.
“As partes beligerantes mudaram a narrativa, passando de uma lógica de ‘ataques por engano’ para a justificação de que as instalações médicas e o pessoal humanitário ‘perderam a proteção’ ao abrigo do direito internacional humanitário”, alerta Erik Laan, especialista em incidência política da MSF.
“Esta mudança reflete frequentemente a primazia da necessidade militar sobre a obrigação de proteger os civis e de mitigar os danos causados à população civil”, sublinha Erik Laan.
Além dos números de 2025 da OMS, os Médicos Sem Fronteiras divulgaram também dados da Safeguarding Health in Conflict, uma coligação de organizações não-governamentais (ONG), relativos a 2024.
Nesse ano, foram documentados 3.623 incidentes dirigidos contra serviços de saúde, um aumento de 15% face a 2023 e de 62% em relação a 2022. Nesse ano, cerca de 81% dos episódios de violência contra o sector da saúde foram atribuídos a atores estatais.
As principais vítimas destes ataques são os trabalhadores recrutados localmente. De acordo com a Aid Worker Security Database, entre 2021 e 2025, 1.241 funcionários contratados a nível local foram mortos, 1.006 ficaram feridos e 604 foram raptados em todo o mundo.
Este grupo representa 98% do total de trabalhadores humanitários mortos, 96% dos feridos e 94% dos que foram sequestrados.