21 jan, 2026 - 17:59 • Pedro Mesquita, enviado da Renascença a Estrasburgo
“É uma boa noticia”, mas não deixa de ser uma estranha notícia “porque os aliados habitualmente não se atacam mutuamente”. A posição foi assumida pelo presidente do Conselho Europeu quando confrontado pelos jornalistas, em Estrasburgo, sobre as palavras de Donald Trump, em Davos, a garantir que os EUA não vão recorrer à força para anexar a Gronelândia.
Já sobre o facto de, em alternativa, o Presidente dos EUA exigir negociações imediatas, António Costa sublinha que “apenas a Gronelândia e a Dinamarca podem decidir sobre o seu próprio destino.
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O que a União Europeia garante, tanto à Dinamarca quanto à Gronelândia, "solidariedade total e apoio total”.


UE tem instrumentos anti-coerção, avisa Costa
O presidente do Conselho Europeu insiste, por outro lado, que a União Europeia dispõe de “instrumentos anti-coerção”, que espera nunca ter de utilizar, para responder às ameaças.
A prioridade continua a ser o diálogo: “Há um total empenho em dialogar com os Estados Unidos, mas obviamente não podemos ser ameaçados e temos instrumentos anti-coerção que, se necessário, devem ser utilizados”.
Questionado sobre que instrumentos são esses, António Costa limita-se a dizer que “são os instrumentos jurídicos que existem”, embora manifeste a esperança de que nunca se chegue a esse ponto.
Os eurodeputados decidiram esta quarta-feira, por maioria, enviar o acordo de comércio UE-Mercosul para o Tribunal de Justiça da União. A ideia é verificar se não viola os Tratados europeus.
António Costa garante, contudo, que esta diligência não irá suspender a aplicação do acordo que – juntamente com Ursula von der Leyen – assinou no Paraguai: “O Conselho Europeu aprovou não só a autorização para a assinatura [do acordo], mas também para a sua aplicação provisória. Por conseguinte, esta consulta prévia ao Tribunal de Justiça não tem efeito suspensivo sobre a aplicação do acordo. Pode ser aplicado, não há dúvidas substanciais quanto à legalidade do acordo. Como todos perceberam, tratou-se de uma iniciativa de alguns deputados, um expediente dilatório, para não ter de se pronunciar sobre o fundo da questão, mas a Comissão Europeia reúne todas as condições para avançar com a aplicação provisória”.


"Acha que eu voto em quem?", diz António Costa sobre as presidenciais
Quanto às presidenciais, o antigo primeiro-ministro nada quer dizer aos jornalistas alegando que agora é presidente do Conselho Europeu.
Nada quer dizer porque se tem “impedido de intervir na política interna de Portugal”.
Ainda assim, António Costa garante que o sentido do seu voto não se vai alterar deixa a 8 de fevereiro: “Irei votar como já votei na primeira volta”.
Questionado se na primeira volta votou "no campo democrático ou no campo extremista", o antigo primeiro-ministro respondeu: "O que é que acha. Acha que eu voto em quem?".
António José Seguro, apoiado pelo PS, e André Ventura, líder do Chega, são os candidatos que passaram à segunda volta das eleições presidenciais.