21 jan, 2026 - 19:36 • Ricardo Vieira , com Reuters
O Presidente norte-americano recua nas tarifas contra os países europeus que estão contra a anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos.
Após uma reunião "muito produtiva" com o secretário-geral da NATO, Donald Trump adianta que foi criado um "esboço para um futuro acordo" relativamente à Gronelândia e, de forma mais ampla, "a toda a região do Ártico".
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De acordo com o líder norte-americano, esta solução, caso venha a ser concretizada, "será muito positiva para os Estados Unidos e para todos os países da NATO".
“Com base neste entendimento, não irei impor as tarifas que estavam previstas entrar em vigor a 1 de fevereiro”, escreveu Trump na Truth Social após um encontro com Mark Rutte, em Davos, na Suíça.
Fórum Económico Mundial
Presidente dos Estados Unidos da América não quer (...)
O Presidente dos Estados Unidos não adiantou pormenores sobre o esboço para um futuro acordo sobre a ilha no Ártico, que faz parte da Dinamarca.
Afirmou, apenas, que estão a decorrer conversações adicionais sobre o sistema defensivo “Golden Dome”, no que diz respeito à Gronelândia e que mais informações serão divulgadas à medida que as negociações avancem.
"O processo negocial ficará a cargo do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio, do enviado especial Steve Witkoff e de outros responsáveis", que reportarão diretamente a Trump.
Depois da publicação nas redes sociais, Trump disse aos jornalistas que o esboço para um futuro acordo dá aos Estados Unidos tudo o que pretendiam e que toda a gente está satisfeita com isso, sem avançar mais detalhes.
"É um acordo fantástico para os EUA, conseguimos tudo o que queríamos, especial para real segurança nacional e internacional", afirmou.
Já em declarações à estação CNBC, afirmou que em cima da mesa está um acordo "para sempre" e "um pouco complexo", cujos pormenores serão explicados mais à frente.
A decisão de Trump de recuar nas tarifas aos países europeus acontece horas depois de o líder norte-americano ter afirmado, no Fórum Económico Mundial, em Davos, que pretendia iniciar "negociações imediatas para comprar" a Gronelândia.
No mesmo discurso, o Presidente norte-americano garantiu que não tenciona "usar a força" para anexar o território considerado estratégico pela Administração Trump.
"Queremos um pedaço de gelo para a proteção do mundo. E não o dão", lamentou Donald Trump, argumentando que é "um pedido muito pequeno". Depois, deixou uma ameaça: "Podem dizer sim e nós ficaremos muito agradecidos, ou podem dizer não e nós vamos lembrar-nos".
O ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, saudou o recuo de Trump em relação às tarifas.
Rasmussen fala num sinal de esperança e espera que as negociações obtenham bons resultados.
O Governo de Copenhaga considera que Trump dizer que não tenciona usar a força para controlar a Gronelândia é um facto positivo, mas também é claro que o Presidente norte-americano tem uma "ambição que não podemos acomodar".
A ministra sueca dos Negócios Estrangeiros, Maria Malmer Stenergard, também aplaudiu o recuo de Trump.
“É positivo que Trump tenha agora recuado nas tarifas sobre aqueles que apoiaram a Dinamarca e a Gronelândia”, escreveu Stenergard na rede social X.
“As exigências relativas à alteração de fronteiras receberam críticas mais do que merecidas. Foi também por isso que reiterámos que não aceitaremos chantagens. Tudo indica que o trabalho conjunto com os nossos aliados teve impacto”, sublinhou a chefe da diplomacia sueca.
Um porta-voz da NATO afirmou, entretanto, que os aliados vão trabalhar de forma conjunta para garantir a segurança no Ártico.
“As discussões entre os aliados da NATO sobre o quadro a que o Presidente se referiu centrar-se-ão em assegurar a segurança no Ártico através dos esforços coletivos dos aliados, em particular dos sete aliados árticos”, declarou o porta-voz, citado pela agência Reuters.
“As negociações entre a Dinamarca, a Gronelândia e os Estados Unidos irão avançar com o objetivo de garantir que a Rússia e a China nunca obtenham uma posição de influência — económica ou militar — na Gronelândia”, referiu a mesma fonte.
[notícia atualizada às 21h18 - com novas declarações de Donald Trump e reação da NATO]