Ouvir
  • Noticiário das 16h
  • 08 fev, 2026
A+ / A-

Direitos Humanos

Quase três quartos da população mundial sofre com escassez de água, alerta ONU

21 jan, 2026 - 00:48 • Reuters

Água potável em "falência" coloca milhares de milhões em risco por todo o mundo, devido a décadas de sobre-exploração e à redução dos recursos de lagos, rios, glaciares e zonas húmidas. Quatro mil milhões de pessoas enfrentam escassez grave de água pelo menos um mês por ano.

A+ / A-

O mundo enfrenta uma “falência” irreversível da água, com milhares de milhões de pessoas a lutar contra as consequências de décadas de sobre-exploração, bem como com a redução dos recursos de lagos, rios, glaciares e zonas húmidas, anunciaram esta terça-feira investigadores das Nações Unidas (ONU).

Quase três quartos da população mundial vive em países classificados como “inseguros em termos hídricos” ou “criticamente inseguros”, e quatro mil milhões de pessoas enfrentam escassez grave de água pelo menos um mês por ano, alerta um relatório do Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Ambiente e a Saúde.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

“Muitas regiões vivem além dos seus meios hidrológicos, e muitos sistemas críticos de água já estão falidos”, diz Kaveh Madani, autor principal e diretor do instituto.

“Reconhecendo a realidade da falência da água, podemos finalmente tomar as decisões difíceis que irão proteger as pessoas, as economias e os ecossistemas”, acrescenta.

O relatório indica que os abastecimentos de água estão “já num estado de falha pós-crise” após décadas de taxas de extração insustentáveis que esgotaram as “reservas” de água contidas em aquíferos, glaciares, solos, zonas húmidas e ecossistemas fluviais, com os recursos ainda degradados pela poluição.

Mais de 170 milhões de hectares de terras agrícolas irrigadas — uma área maior que o Irão — estão sob stress hídrico “elevado” ou “muito elevado”, e os danos económicos resultantes da degradação do solo, esgotamento de águas subterrâneas e alterações climáticas ascendem a mais de 300 mil milhões de dólares por ano em todo o mundo, indica o relatório.

Três mil milhões de pessoas e mais de metade da produção alimentar global concentram-se em áreas que já enfrentam níveis instáveis ou em declínio de armazenamento de água, enquanto a salinização também degradou mais de 100 milhões de hectares de terras agrícolas, acrescenta o documento.

Os investigadores escreveram que a abordagem atual para resolver os problemas de água já não é adequada, e que a prioridade não é “voltar ao normal”, mas sim criar uma nova “agenda global da água” destinada a minimizar os danos.

No entanto, Jonathan Paul, professor de geociências na Royal Holloway, Universidade de Londres, afirmou que o relatório não aborda um fator principal por detrás da crise.

“O elefante na sala, que é mencionado explicitamente apenas uma vez, é o papel do crescimento populacional massivo e desigual na condução de tantas das manifestações da falência da água”, referiu.

Ouvir
  • Noticiário das 16h
  • 08 fev, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+