21 jan, 2026 - 08:58 • Pedro Mesquita
O eurodeputado Hélder Sousa Silva, que integra a Comissão de Defesa, não se mostra surpreendido com as notícias de uma eventual redução de posições norte-americanas nos centros de comando da NATO na Europa, incluindo o STRIKFORNATO, em Portugal.
Ouvido pela Renascença, em Estrasburgo, Hélder Sousa Silva considera, ainda assim, que esta “chantagem” deve ser lida como uma oportunidade: “Isto, para nós, não é novidade. É mais um sinal de chantagem sobre a Europa no que diz respeito à questão da Gronelândia, mas vamos aproveitar isso como uma oportunidade. E é isso que eu digo: temos aqui uma oportunidade de ocupar esses lugares e de mostrar o pilar europeu da NATO.”
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Nestas declarações à Renascença, o eurodeputado do PSD admite que EUA e Europa vivem hoje uma espécie de “guerra fria”:
“Essa guerra fria já acontece há uns meses a esta parte: é a guerra das tarifas, é agora a guerra relativamente ao território da Gronelândia.”
Hélder Sousa Silva insiste, contudo, que a Europa não se deve amedrontar: “Nós não nos podemos atemorizar, nem ficar de ‘cócoras’ relativamente a essa situação. Temos de ver nisso uma oportunidade de fazer mais e de fazer diferente”.
Como avalia as notícias que apontam para uma redução, por parte dos EUA, de 200 posições em centros de comando da NATO na Europa?
Eu diria que não é uma redução imediata. Os 200 lugares são insignificantes face aos 80 mil militares que os Estados Unidos têm dispersos pela Europa.
Também no STRIKFORNATO, em Portugal. Isso não preocupa?
Eu julgo que não, porque esses lugares, à medida que vão vagando, vão sendo ocupados por militares europeus.
Mas vamos fazê-lo à força…
Claro que isso tem a ver também com esta jogada de negociação de Trump, dando um sinal à Europa de que está a desinvestir na nossa segurança e defesa. Isto, para nós, não é novidade: é mais um sinal de chantagem sobre a Europa no que diz respeito à questão da Gronelândia, mas vamos aproveitar isso como uma oportunidade. E é isso que eu digo: temos aqui uma oportunidade de ocupar esses lugares e de mostrar o pilar europeu da NATO - eu diria, enquanto ela existir, porque hoje pensamos seriamente se a NATO vai continuar a existir no modo e no modelo que conhecemos. Ainda assim, isto tem de ser visto como uma oportunidade.
Isto não é também o início de uma guerra fria entre a Europa e os Estados Unidos?
Essa guerra fria já acontece há uns meses a esta parte. É a guerra das tarifas, é agora a guerra relativamente ao território da Gronelândia…
E que dificilmente a Europa ganhará…
E que dificilmente a Europa ganhará. Mas, de qualquer forma, nós não nos podemos atemorizar nem ficar de “cócoras” relativamente a essa situação. Temos de ver nisso uma oportunidade de fazer mais e de fazer diferente.