Saúde
Por que é que pessoas com demência vagueiam? Há estratégias que podem ajudar as famílias
24 jan, 2026 - 11:45 • The Conversation/Reuters
Ver uma fotografia antiga de si próprias na adolescência pode provocar desorientação. Como a imagem não corresponde à realidade, a pessoa pode procurar a casa de infância.
Em novembro passado, um homem de 80 anos despareceu em Fermentões, concelho de Sabrosa, quando foi apanhar cogumelos silvestres. Foi encontrado horas depois, de madrugada, por drones da GNR. Estava desorientado. Em abril, um doente de Alzheimer, de 74 anos, desapareceu da urgência de Vila Franca de Xira e andou 16 quilómetros sozinho. Foi encontrado já perto da vila de Arruda dos Vinhos
Situações como esta são comuns entre pessoas que vivem com demência. Muitas vezes descrito como “procura da saída” ou “vaguear”, este comportamento ocorre porque o declínio cognitivo provoca perda de memória e desorientação.
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À medida que a doença progride, as pessoas podem ter dificuldade em orientar-se e em interpretar o ambiente à sua volta, ou sentir que estão num tempo ou lugar completamente diferentes.
Estes sintomas têm um impacto profundo nas famílias, deixando frequentemente os cuidadores exaustos e em situação de desgaste extremo.
O que desencadeia o stress?
A falta de formação é uma das principais causas de stress para as famílias que cuidam de pessoas com demência. Na gestão dos sintomas, os cuidadores consideram frequentemente as alterações de humor e de comportamento como os aspetos mais difíceis de lidar.
Pessoas com demência costumam experienciar maior ansiedade, oscilações de humor ou episódios de vaguear. Regra geral, estas mudanças são provocadas por um acontecimento específico ou “gatilho”.
Por exemplo, ver uma fotografia antiga de si próprias na adolescência pode provocar desorientação. Como a imagem não corresponde ao contexto atual, a pessoa pode começar a procurar a sua casa de infância. Sai de casa para a encontrar, mas, sem conseguir orientar-se, perde-se rapidamente.
Quando estes episódios se tornam frequentes, as famílias sentem muitas vezes que estão a cuidar de uma “pessoa diferente”. Esta transformação agrava o impacto emocional sobre os cuidadores, sobretudo porque estas alterações de humor e comportamento podem surgir em qualquer fase da doença.
Apoiar pessoas com demência
As famílias podem adotar várias estratégias práticas para apoiar um familiar que apresente sintomas desafiantes, como a “procura da saída”.
Em primeiro lugar, manter a calma. Quando ocorre um episódio, a família deve trabalhar em conjunto para desescalar a situação. A prioridade é identificar o que desencadeou o comportamento.
Uma estratégia passa por limitar a exposição a gatilhos ambientais. Por exemplo, retirar fotografias ou objetos nostálgicos que provoquem desorientação pode ajudar a prevenir o impulso de vaguear.
Em segundo lugar, deve evitar-se deixar uma pessoa com demência sozinha em casa, independentemente do grau de autonomia que aparente ter. Embora a supervisão seja necessária, é importante manter uma vigilância próxima, mas discreta, garantindo a segurança sem ser intrusivo.
Em terceiro lugar, as famílias devem assegurar que o familiar transporta sempre consigo um meio de identificação. Isto pode incluir uma cópia do cartão de identificação e uma nota com o nome, morada, número de telefone e uma explicação da sua condição. Estas informações ajudam terceiros a contactar a família caso a pessoa se separe ou se perca.
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- 08 jun, 2026








