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Calor extremo vai afetar quase quatro mil milhões de pessoas até 2050

27 jan, 2026 - 07:42 • Olímpia Mairos , com Lusa

Investigadores avisam que adaptação é urgente, sobretudo nos países mais vulneráveis.

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Quase 3,8 mil milhões de pessoas poderão estar expostas a episódios de calor extremo até 2050, num cenário que colocará novos desafios não só às regiões tropicais, mas também às atuais zonas temperadas, que terão de se adaptar a temperaturas mais elevadas.

As conclusões constam de um estudo publicado na revista Nature Sustainability, no qual os cientistas analisaram os impactos de diferentes cenários de aquecimento global no número de pessoas expostas a temperaturas consideradas excessivas — tanto de calor como de frio.

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De acordo com as projeções, se a temperatura média global subir 2 °C acima dos níveis pré-industriais, a população exposta a calor extremo deverá “quase duplicar” até 2050, atingindo cerca de 3,79 mil milhões de pessoas — o dobro do registado em 2010.

No entanto, os efeitos mais significativos deverão fazer-se sentir já nesta década, à medida que o mundo se aproxima do limite de aquecimento de 1,5 °C. À agência France-Presse, o principal autor do estudo, Jesus Lizana, sublinha que a resposta terá de ser rápida.

“A necessidade de adaptação ao calor extremo é mais urgente do que se estimava anteriormente”, afirma Jesus Lizana.

O investigador defende que será essencial investir em novas soluções de adaptação nos próximos anos.

Novas infraestruturas precisam de ser construídas, como sistemas de arrefecimento passivo ou ar condicionado sustentável”, acrescenta.

A exposição prolongada ao calor extremo — muitas vezes descrito como um “assassino silencioso” — pode exceder a capacidade de adaptação do organismo humano, provocando sintomas como tonturas, dores de cabeça e, em casos mais graves, a morte.

Segundo o estudo, a procura de energia para refrigeração deverá aumentar de forma acentuada nos países em desenvolvimento, onde se esperam os impactos mais severos ao nível da saúde pública. Índia, Filipinas e Bangladesh surgem entre os países com maior número de pessoas afetadas.

As regiões tropicais e equatoriais, em particular em África, concentram as maiores alterações de temperatura que exigirão refrigeração artificial, mas países como o Laos e o Brasil também figuram entre os mais vulneráveis, a par da República Centro-Africana, Nigéria e Sudão do Sul.

A coautora do estudo, Radhika Khosla, alerta para a dimensão social do problema, sublinhando que “os mais desfavorecidos são também os que mais vão sofrer com esta tendência de aumento dos dias quentes”.

Ainda assim, os investigadores alertam que os países mais ricos não estão imunes. Apesar de algumas regiões, como o Canadá, a Rússia ou a Finlândia, poderem registar menos dias de frio intenso, também enfrentarão um aumento — ainda que moderado — de dias de calor extremo, para os quais não estão preparados.

Os países ricos não podem simplesmente esperar e assumir que tudo vai correr bem. Em muitos casos, estão perigosamente impreparados para o calor que se avizinha nos próximos anos”, conclui Jesus Lizana.

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